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quarta-feira, 1 de abril de 2009

45 minutos para garantir a vaga

Por Renato Godoy

Mano Menezes desta vez não decepcionou. Ousou na escalação do Corinthians relacionando apenas um “volante-volante” (Christian) e três atacantes. Coincidência ou não, os 45 minutos iniciais, em que o time definiu o placar de 3 x 0, tiveram grande atuação de Elias, que foi sacado no intervalo para dar lugar a Túlio.
Com a saída do camisa 7, o Corinthians ficou menos insinuante, sem saber ao certo o que fazer com a bola, apesar de tê-la em seus pés na maior parte do tempo. Tal indecisão do time gerou até vaias dos setores mais abastados do estádio. Isto quando o time já vencia por 3x0!Pela terceira vez seguida, Ronaldo atuou durante todo o jogo. A cada atuação do centroavante ficam provadas duas coisas: ele é realmente um Fenômeno e está longe de estar em forma.
O camisa 9 errou passes, perdeu bolas por falta de agilidade e finalizou com a precisão de sempre. Aliás, fez dois gols legítimos. O mais bonito, no segundo tempo, foi erroneamente anulado. Sofreu falta que deu origem ao terceiro gol e participou até de jogada bem ensaiada, colocando André Santos na linha de fundo, mas faltou a conclusão de um cabeceador. Já no fim do jogo, sem ter opções, encarou dois zagueiros, colocou a bola atrás deles e arrancou para alcançá-la novamente. Não obteve êxito, mas lembrou os velhos tempos. Com toda a falta de forma, soma 5 gols em 7 jogos. Fenômeno.
Outro “destaque” da partida foi a ausência de Douglas. Apesar de eu ser um defensor do meia corinthiano, foi visível a maior mobilidade e eficiência no meio de campo. Sem brilho ou passes geniais – como o Douglas do ano passado -, Wellington Saci deu conta da armação.
Com a classificação para a segunda fase garantida, especula-se que Mano possa escalar um time misto diante do Mirassol, no domingo. No entanto, o jogo contra o time do interior não deve ser encarado como cumprimento de tabela. Se o São Paulo vencer quinta-feira ou no domingo, o Corinthians sofre o risco de perder novamente a segunda posição. A vantagem de dois empates num eventual confronto contra o SPFC nas semifinais não pode ser desprezada.

Contrassenso
Um destaque positivo foi a presença de 21 mil torcedores no Pacaembu, mesmo no horário ridículo das 21h50. Este horário antitorcedor foi criado para adequar os interesses da emissora das novelas, no entanto, a partida desta terça não foi televisionada. Aliás, agora o canal de TV faz campanha, aos moldes do jornalismo cidadão, para que a prefeitura e o governo do Estado disponibilizem linhas para o retorno dos torcedores. Como se estivesse isenta de culpa nesse tratamento dispensado aos freqüentadores de estádios.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Corinthians de Ronaldo, ou Ronaldo do Corinthians?

por Renato Godoy

Com o gol de cabeça que salvou o Corinthians de uma derrota para o maior rival, Ronaldo voltou às manchetes por sua atuação dentro de campo. Com isso, os meios de comunicação trataram de reeditar a “Ronaldomania”, termo quase esdrúxulo cunhado por alguns comentaristas na fase áurea do jogador.

Foi nesse clima que boa parte da torcida compareceu ao Pacaembu para ver o Fenômeno pela primeira vez na casa do Corinthians. É inegável que, para além do jogo do Corinthians, o principal atrativo era o camisa 9. No entanto, colocar a importância do craque sobre o Corinthians, não corresponde com a atitude usual que esta torcida adota: apoiar o time antes de qualquer coisa.

De onde assisti o jogo, na arquibancada laranja, pude observar um interessante “duelo”. Quando o placar passou a anunciar a escalação, as organizadas passaram a gritar mais forte (“Corinthians, Corinthians”), prevendo a reação que o restante do estádio teria com o nome de Ronaldo proferido pelo serviço de som do Paulo Machado de Carvalho. Em vão. O estádio veio abaixo quando o rosto do camisa 9 foi estampado no telão.

Quanto a isso, creio que seja uma reação natural e válida, já que há anos não tínhamos uma contratação desta importância. Ronaldo, não há como negar, é um ídolo nacional. Mas o que considerei um equívoco foi a ânsia com que a torcida do setor xingava jogadores que não passavam a bola para o atacante célebre. Mesmo quando não havia condições de realizar um passe para ele. “Toca pra ele, 6!”, dizia um que não conhecia o nosso volante Christian.

E o time, ao que me parece, cedia a essa histeria, direcionando a bola ao atacante a todo o tempo na primeira etapa.

Soma-se a isso a intolerância de boa parte da torcida com relação a Douglas, que ainda sofre as consequências da fome em Itumbiara. Mas cornetar o camisa 10 é um comportamento injusto e nefasto já que o meia corinthiano vem apresentando lampejos daquele futebol do ano passado. Douglas tem talento e sabe chutar, como já demonstrou, portanto não cabe a ele o mero papel de garçom, como querem alguns. Espero que as poucas vaias não o inibam.

Outro fator que me causou estranheza foi a presença de pessoas com camisetas de clubes em que Ronaldo atuou como Milan de Berlusconi e o Real Madrid dos franquistas, equipes sem qualquer identificação com o Corinthians.

Enfim, o jogo
Antes de completar um minuto de partida, a bola chegou aos pés de Ronaldo que chutou forte da entrada da grande área. O goleiro Luís espalmou. Parecia que seria uma noite infernal de Ronaldo. Entretanto, o atacante perdeu algumas bolas e desperdiçou um gol, como não é de seu feitio.

Aos 7 minutos, em tabela com André Santos, Ronaldo ficou livre para marcar. “Agora ele dá aquela cavadinha e pronto”, pensei. Nada. Chute fraco e rasteiro nas mãos do arqueiro do São Caetano. Como de costume, a equipe do ABC começou a dar trabalho ao Corinthians e tomou as rédeas do jogo. Até que aos 21, Marcelo cabeceou para dentro da meta do instável Felipe.

A torcida fez aquilo que impressionara Ronaldo contra o Palmeiras, segundo o próprio: gritou ainda mais forte na adversidade. Aos 35, André Santos, contrariando alguns torcedores, não passou a bola para Ronaldo, mas arriscou de fora da área, anotando o gol mais bonito da chuvosa noite no Pacaembu. Com o tento, o lateral se redimiu da partida pífia que vinha fazendo.

O São Caetano continuava melhor que o Corinthians. Felizmente veio o intervalo. Com Dentinho no lugar de Boquita, o Corinthians voltou melhor. Aos 5 minutos, Ronaldo, do Corinthians, mostrou que não precisa estar em forma para ser decisivo. Em bola difícil, tocou de primeira para a rede. Para ele pareceu fácil.

O atacante ainda propiciou momentos de deleite para a Fiel. Com técnica acima da média do futebol brasileiro, o atacante humilhou um defensor do São Caetano no meio-de-campo e, melhor ainda, encerrou a jogada com um belo lançamento para Jorge Henrique. Ronaldo saiu aos 30 do segundo tempo, surpreendendo aqueles que esperavam apenas 45 minutos de Fenômeno. Foi aplaudido efusivamente por todos os setores do estádio. Por ser quem ele é e por ter virado o jogo para o Corinthians.