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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Futebol musical


por Felipe Carrilho



Depois de assistir à vitória do Corinthians sobre o Fluminense, na última quarta-feira (8/7), lembrei-me de um artigo que li, há alguns anos, na saudosa revista Jazz+. O autor (cujo nome a minha memória etilicamente prejudicada não me permite lembrar) buscava defender o estilo bebop das acusações que, na época de seu aparecimento, o rotulavam de "música individualista" e "anárquica", no pior sentido do termo.

Privilegiando pequenos conjuntos, e promovendo uma verdadeira revolução rítmica – com o despontar de novas síncopas e imagens complexas no tempo –, o bebop proporcionou ao solista um destaque nunca pensado antes. O resultado foi o desenvolvimento de um fraseado anguloso, flexível e irregular, que exigia uma técnica instrumental muito apurada por parte do improvisador. Dizzy Gillespie e Charlie Parker foram os grandes precursores do movimento.

Essa espécie de primazia anárquica (no melhor sentido) do solista foi um dos principais pretextos utilizados pelos detratores do jazz para criticar a nova estética que surgia.

A resposta do crítico em questão, por outro lado, apresentava o bebop como um estilo de jazz caracteristicamente coletivo e harmônico. Segundo o autor, as condições determinantes para que o solista pudesse atingir a excelência em suas improvisações eram justamente o entrosamento entre os membros da chamada "cozinha musical" (baterista, contrabaixista e pianista) além, claro, da competência individual de cada um dos músicos. O resultado seria um som em que o esforço coletivo proporcionaria a melhor expressão da individualidade. Algo que alguns teóricos talvez comparassem com o que chamam, em política e sociologia, de "socialismo personalizante".

Não apenas concordo com o ilustre (e, aqui, anônimo) crítico, como acho que o futebol apresentado ultimamente pelo Corinthians edita, dentro das quatro linhas, a dinâmica musical do bebop. Mano Menezes montou um esquema tático em que o funcionamento, às vezes, perfeito de dez jogadores talentosos e entrosados possibilita a um solista fenomenal atingir o ápice de sua capacidade de improvisação futebolística.
Assim como a música do bebop, o futebol corintiano atual insinua, com sua prática coletivista e libertária, possibilidades de realização de utopias. Na era da massificação dos sons e da bola, a música popular e o futebol ainda são capazes de produzir demonstrações dissonantes de resistência. Basta querer ver e ouvir.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pacaembu e Fiel, festa completa

Por Renato Godoy


Desde as imediações do Pacaembu, percebia-se o clima de festa. Festa essa que se acentuou com as notícias que chegavam de Montevidéu. Quando o Corinthians entrou em campo, uma sequência ensurdecedora de fogos de artifício e um belo espetáculo de luzes, sinalizadores e papel picado. Faltaram as bandeiras, há tanto tempo proibidas de forma estúpida nos estádios paulistas.

Quanto ao jogo, São Jorge parece ter atendido às preces do Felipe e iluminou Mano Menezes na escolha do substituto de André Santos. Isto porque Marcelo Oliveira fez excelente partida, corrigindo a principal deficiência que o time encontrou na segunda semifinal contra o Vasco: a saída de bola pela esquerda.

Marcelo esteve bem no apoio e nos desarmes precisos na defesa. É verdade que nos minutos iniciais apresentou uma certa insegurança, que veio abaixo após sua participação na bela jogada que resultou no primeiro gol.

Jorge Henrique fez por merecer ter anotado o primeiro tento alvinegro. Em jogada pelo meio, acionou brilhantemente Marcelo Oliveira pela esquerda, décimos de segundo antes do que seria um desarme. O lateral esquerdo corinthiano viu Jorge surgir na entrada da área, sem marcação – que estava atenta a Ronaldo e Dentinho, mais à frente.

1x0 e festa mais acentuada no Pacaembu, com o maior público do ano, 37 mil, tal como a renda, 1,8 milhões – impulsionada pela carestia dos ingressos, alvo de protesto no intervalo do jogo.

“O resultado já é bom”, diziam alguns, eu incluso.

Ronaldo parecia estar melhor do que nas últimas apresentações. Sobretudo quando jogava mais recuado, apresentando-se como um bom meia, invertendo bolas e fazendo lançamentos que caberiam a Douglas – novamente em noite pouco inspirada.

Uma boa discussão para travar em boteco seria: o seu chute defendido por Lauro no primeiro tempo foi um gol perdido ou uma grande defesa? Fico com a segunda hipótese, apesar de acreditar que se sua forma estivesse melhor, chegaria um pouco antes, podendo concluir com mais clareza.

O Corinthians voltou o mesmo para o segundo tempo. Em lance falsamente polêmico, Elias lançou Ronaldo, que fez jus ao nome e cortou Índio e de pé esquerdo – um de seus melhores pés – colocou entre Lauro e a trave. Mais festa.

A partir daí, o jogo é de Felipe. Na falta cobrada por Andrezinho, o corinthiano pessimista, eu incluso, lembrou do lance contra o Flamengo, há algumas semanas. Mas aqui é Felipe, não Bruno. Bela defesa.

No lance mais difícil do jogo, Taison fica de cara pro gol, tenta tirar de Felipe, em vão. Agachado, Felipe faz a defesa da partida.

Já no fim do jogo, Guiñazu entra sozinho na área e desfere forte chute. Felipe põe para escanteio. Ainda é cedo, eu sei. Mas aquele que virou vilão no ano passado, começa a ganhar a aura de ídolo.

Ressalto o mérito de Mano Menezes na recuperação do nosso camisa 1. Não podemos esquecer que quando Felipe vinha numa fase repleta de falhas, que culminou com a derrota para o Sport, o treinador o afastou da titularidade, para evitar a pressão, e o reintegrou em seguida.



Cautela e ousadia

Mesmo com um resultado muito bom, o exemplo de 2008 tem que estar presente. É jogar sem medo. Até porque um gol em Porto Alegre exige 4 deles. O time deles não é qualquer coisa, mas quem tem que temer algo são eles.

O corinthiano mais otimista, eu incluso, acreditava que os dois gols e a expulsão do descontrolado Leandrão diminuiriam o ímpeto do time do sul. Ledo engano. Ainda que o Timão tenha controlado a maior parte do certame, o Internacional não deixou de buscar o temível gol fora de casa em momento algum.

Aliás, vale um parênteses para falar sobre esse garoto Taison. Infernal, habilidoso e veloz. Perigo constante para a zaga corinthiana. Talvez seja mais imprescindível do que Nilmar, para a equipe de vermelho. Apesar de esses prêmios de federação serem meio suspeitos, é simbólico que em seu primeiro estadual tenha faturado os prêmios de artilheiro, revelação e melhor do campeonato. Enfim, que esteja menos inspirado no dia 1º de julho!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Balanço final do Paulistão corintiano

por Felipe Carrilho

Depois de enfrentar um árduo Campeonato Paulista, o Corinthians se sagrou campeão pela 26ª vez e, de maneira invicta, pela 5ª vez em sua história: 1914, 1916, 1929, 1938 e 2009.

Foi uma competição emocionante para nós, corintianos. Após fazer uma grande campanha na série B, o Corinthians iniciou o campeonato estadual inseguro e instável. A maneira tímida como Mano Menezes escalava o time nos primeiros clássicos ilustra bem isso. Havia uma nítida preocupação em se autoconvencer primeiro de que era possível vencer os grandes rivais. Talvez Mano tenha demorado a perceber o real valor de seu time, mas o fez a tempo, surpreendendo a todos com o esquema tático ofensivo que montou para as semifinais e finais do campeonato.

Outro ponto a salientar foi a maneira como eliminamos o São Paulo. Atual campeão brasileiro, o time mais pretensioso do Brasil caiu ante um Corinthians claramente melhor nos dois jogos das semifinais. Ronaldo, como havia sido contra o Palmeiras e seria frente ao Santos, foi decisivo e mágico na ocasião.

Mano e Ronaldo

Outro ponto positivo foi o modo como Mano Menezes conduziu a adaptação de Ronaldo ao Corinthians. Muito sereno e profissional, o técnico soube escalar o craque nas horas apropriadas, não cedendo a pressões de patrocinadores, mídia etc. Boa parte de seu grande rendimento, Ronaldo deve à sabedoria de Mano Menezes.


O craque do time

Nem Ronaldo, nem Elias, ou Felipe. O jogador mais importante do Corinthians foi Cristian. Volante discreto, foi um leão no meio campo corintiano. Sua capacidade de marcação e senso de posicionamento foram fundamentais para que Mano Menezes se sentisse seguro para abandonar de vez o esquema com três zagueiros. Ainda que isso não bastasse, Cristian fez também os seus gols, como o inesquecível que marcou contra o São Paulo, no primeiro jogo da semifinal, encarnando a alma corintiana.

Porém...

A lamentar, apenas algumas questões: O modo como o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tentou chamar mais a atenção do que os jogadores, erguendo a taça antes do capitão Willian! Do mesmo modo, o intruso bando de políticos presentes na premiação.
Além disso, como lucidamente salientou Ronaldo, a desorganização da festa - que colocou o nosso capitão em perigo, ao se ver envolvido pelo pequeno incêndio causado pelos fogos de artifício - e finalmente, o assédio exagerado dos jornalistas sobre o fenomenal centroavante.

Apesar dos pesares, aqui é Corinthians!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mais Ronaldo



por Felipe Carrilho






É claro que, ontem, o Corinthians fez um bom jogo e, por isso, obteve um grande resultado diante do Santos. Entretanto, não podemos deixar de perceber a grande atuação do destaque da partida: Ronaldo.

Ronaldo, pode-se dizer, foi (ou tem sido) como Romário na Copa de 94. Teve a posse da bola em apenas meia dúzia de oportunidades, errou dois passes de maneira infantil (ao contrário do que o Baixinho costumava fazer, naquela ocasião, é verdade) e fez dois lindos gols, o primeiro digno de Romário e o segundo digno de Pelé.

Os gols

Aos 25 minutos do primeiro tempo, o placar estava 1 a 0 para o Corinthians, gol de falta de Chicão, quando Ronaldo recebeu uma bola espanada pelo mesmo zagueiro. Dominou com maestria, a bola grudada no seu pé direito por um instante, dominando e armando, ao mesmo tempo, o chute rápido de esquerda, sem chances para o goleiro Fábio Costa.

O segundo gol foi ainda mais espetacular. Aos 31 minutos do segundo tempo, quando o Santos tentava desesperadamente empatar a partida, Ronaldo recebeu um passe de Elias, aplicou um drible seco e característico no lateral Triguinho e, quando todos esperavam que ele fosse tentar devolver a bola ao Elias, ou que fosse partir para cima da defesa santista, ou, ainda, arriscar de qualquer maneira de fora da área, Ronaldo, de modo genial e assustador, não bateu na bola, acariciou-a, de esquerda, por cima do atônito goleiro do Santos: 3 a 1.

Foi um gol de rei, tanto que o Rei afirmou: "Foi gol de Pelé na Copa do Mundo".

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Vitória na moral e na bola

por Renato Godoy
Findado o período em que a torcida são-paulina/imprensa consideravam o Corinthians como “freguês” do São Paulo, a Nação Corinthiana passou a aguardar ansiosamente pela restituição da normalidade: derrotar o São Paulo em um jogo decisivo.

No entanto, os mais otimistas não poderiam imaginar que a recompensa viria de forma tão generosa e repleta de simbolismos. Além de vencer os dois jogos, o Corinthians obrigou o São Paulo a contradizer-se vergonhosamente. Entre as duas vitórias do Timão, optaram por um time reserva para poupar os titulares para o jogo mais importante. Ou seja, priorizaram o “paulistinha”, organizado por seus “inimigos” da Federação Paulista, em detrimento da Libertadores. Normal? Sim, mas não para o São Paulo e seu cosmopolitismo autodeclarado.

Para o corinthiano, que passou as maiores vergonhas de sua vida nos últimos anos, não bastavam as vitórias contra o rival. Era preciso algo mais. A empáfia e arrogância dos dirigentes do clube do Morumbi tinham de ser respondidas, à maneira do Corinthians. E assim Ronaldo e Mano Menezes fizeram. O primeiro chamou o vice-presidente são-paulino, que o zombara, de “
babaca que fala merda”; já o treinador ironizou Muricy Ramalho e sua “bola de cristal”.

Outra revelação simbólica, que não vi ninguém questionar até agora, é a maneira “amadora”, “antiprofissional” e “terceiromundista” – para usar o jargão do clube – como a diretoria do SP se comportou horas antes do início do jogo deste domingo. Antes da abertura dos portões, o setor destinado à Fiel foi “decorado” com penas de galinha e milho, aludindo ao apelido que eles inventaram, sem sucesso, para o Corinthians. Nada condizente com a modernidade e a racionalidade e outros jargões pregados por eles.

Quase impecável
Não só os acontecimentos simbólicos listados acima fizeram a alegria dos corinthianos. Dentro de campo o time apresentou superioridade nos dois jogos. Sem nenhum brilho, é fato, o time demonstrou raça e competência, ciente de suas obrigações, sem vacilações. Não teve qualquer tipo de demonstração de desespero, ao contrário do adversário.

Vale ressaltar o retorno de Douglas, que teve uma apresentação exuberante, lembrando suas partidas do ano passado.
A bola de cristal do Felipe parece ser mais confiável do que a do técnico do São Paulo.

O setor defensivo mostrou-se impecável. As únicas complicações no jogo decisivo partiram de falhas individuais, de Ronaldo e Alessandro. Este último, aliás, fez excelente partida, aparecendo em todos os lados do campo e lutando muito pelas bolas, além da eficiência demonstrada nos passes.

O camisa 9 corinthiano errou muitos passes no início do jogo e apresentou um problema recorrente: dificuldade para dominar bolas. Mas, o camisa 9 chama-se Ronaldo. Em dois lances decidiu a partida. No primeiro, uma virada de bola extraordinária para Jorge Henrique. Dois minutos depois, após uma bola perfeita de Cristian, deixou o zagueiro Rodrigo comendo poeira e finalizou com a precisão daquele Ronaldo. O Corinthians somou 4 x 1 no placar agregado. E poderia ter sido mais.
Se fosse aqui...
O São Paulo somou 3 derrotas em uma semana. Duas delas, para o seu maior rival, representaram a eliminação em um torneio que foi priorizado. Se fosse o Corinthians que se encontrasse nessa situação, a imprensa definiria tal momento com uma palavra: crise!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um camisa 10 à altura do Corinthians

por Felipe Carrilho

Douglas, dúvida para a próxima partida, vem, certamente, apresentando um desempenho muito abaixo do esperado nos últimos jogos. Depois de sofrer uma contusão e ficar de fora de algumas partidas, o meia parece não ter recuperado a boa forma e consequentemente o bom futebol. Esse fato tem rendido manifestações contrárias ao jogador nas partidas do Corinthians.

Mas, é preciso ir além dos episódios recentes para se fazer justiça ao armador corintiano. Quem compareceu assiduamente ao Pacaembu, durante a jornada do Timão na série B, testemunhou o tamanho do futebol apresentado por Douglas. Dando belas assistências e também fazendo os seus gols, a participação do meia foi fundamental para o Corinthians fazer a campanha que fez.

Se fizermos um esforço de rememoração mínimo, perceberemos que, de um ano para cá, existiu um Corinthians antes e outro depois de Douglas. Quem não se lembra do sofrimento que era ver o Timão sendo armado por "craques" como Marcel, Heverton, Acosta, entre outros? Quem se esqueceu da irregularidade de Diogo Rincón, e o quanto sofremos, por exemplo, com a desarticulação do meio-campo corintiano na final da Copa do Brasil, contra o Sport?

Douglas chegou e resolveu o problema no ano passado. No início deste ano, o meia esteve muito bem. Os espectadores da goleada corintiana sobre o Estudiantes, da Argentina, presenciaram uma exibição de gala do jogador. Depois da partida, inclusive, Ronaldo Fenômeno teceu fartos elogios ao companheiro, elegendo-o como o craque do time. E o artilheiro tinha razão. Se analisarmos o nível dos jogadores que atuam mesma posição de Douglas no Brasil, chegaremos à conclusão de que se trata de um dos melhores.

O que, então, explicaria a pressão que o armador do Corinthians vem sofrendo por parte de torcedores e de alguns críticos de futebol? Modestamente, acho que tal postura é digna daqueles que andam frequentando as numeradas ou o setor laranja do Pacaembu, o mais caro das arquibancadas. Aqueles que, conforme Renato Godoy já denunciou no texto "Corinthians de Ronaldo ou Ronaldo do Corinthians?", assistem aos jogos do Timão envergando camisas do Milan, de Berlusconi, ou do franquista Real Madrid.

Tudo começou quando, na partida de estreia de Ronaldo, contra o Itumbiara, Douglas deixou de passar a bola ao atacante, chutando em gol (a bola tirou tinta do ângulo direito do goleiro, é bom que se diga). Desde então, a opinião de tais corintianos de ocasião vem se impondo. Será que a Fiel se deixará contaminar?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

45 minutos para garantir a vaga

Por Renato Godoy

Mano Menezes desta vez não decepcionou. Ousou na escalação do Corinthians relacionando apenas um “volante-volante” (Christian) e três atacantes. Coincidência ou não, os 45 minutos iniciais, em que o time definiu o placar de 3 x 0, tiveram grande atuação de Elias, que foi sacado no intervalo para dar lugar a Túlio.
Com a saída do camisa 7, o Corinthians ficou menos insinuante, sem saber ao certo o que fazer com a bola, apesar de tê-la em seus pés na maior parte do tempo. Tal indecisão do time gerou até vaias dos setores mais abastados do estádio. Isto quando o time já vencia por 3x0!Pela terceira vez seguida, Ronaldo atuou durante todo o jogo. A cada atuação do centroavante ficam provadas duas coisas: ele é realmente um Fenômeno e está longe de estar em forma.
O camisa 9 errou passes, perdeu bolas por falta de agilidade e finalizou com a precisão de sempre. Aliás, fez dois gols legítimos. O mais bonito, no segundo tempo, foi erroneamente anulado. Sofreu falta que deu origem ao terceiro gol e participou até de jogada bem ensaiada, colocando André Santos na linha de fundo, mas faltou a conclusão de um cabeceador. Já no fim do jogo, sem ter opções, encarou dois zagueiros, colocou a bola atrás deles e arrancou para alcançá-la novamente. Não obteve êxito, mas lembrou os velhos tempos. Com toda a falta de forma, soma 5 gols em 7 jogos. Fenômeno.
Outro “destaque” da partida foi a ausência de Douglas. Apesar de eu ser um defensor do meia corinthiano, foi visível a maior mobilidade e eficiência no meio de campo. Sem brilho ou passes geniais – como o Douglas do ano passado -, Wellington Saci deu conta da armação.
Com a classificação para a segunda fase garantida, especula-se que Mano possa escalar um time misto diante do Mirassol, no domingo. No entanto, o jogo contra o time do interior não deve ser encarado como cumprimento de tabela. Se o São Paulo vencer quinta-feira ou no domingo, o Corinthians sofre o risco de perder novamente a segunda posição. A vantagem de dois empates num eventual confronto contra o SPFC nas semifinais não pode ser desprezada.

Contrassenso
Um destaque positivo foi a presença de 21 mil torcedores no Pacaembu, mesmo no horário ridículo das 21h50. Este horário antitorcedor foi criado para adequar os interesses da emissora das novelas, no entanto, a partida desta terça não foi televisionada. Aliás, agora o canal de TV faz campanha, aos moldes do jornalismo cidadão, para que a prefeitura e o governo do Estado disponibilizem linhas para o retorno dos torcedores. Como se estivesse isenta de culpa nesse tratamento dispensado aos freqüentadores de estádios.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Caminhos cruzados: Casão, Ronaldo e o Corinthians


por Felipe Carrilho


A vida, às vezes, é capaz de apresentar coincidências históricas incríveis, que podem até fazer duvidar de sua total casualidade e despropósito. De certo, não existe racionalidade na história, estando tal atributo localizado no discurso histórico, na maneira como os homens apreendem o passar do tempo. São os homens, portanto, que conferem sentido aos séculos, "enxergando" as coincidências históricas.

Walter Casagrande Júnior, o nosso Casão, captou, no ar, a beleza do momento pelo qual passamos, os corintianos:

"Minha história e a do Corinthians tem uma ligação forte. E coincidiu de o Corinthians cair para Série B e eu ter problemas, com os dois se recuperando quase ao mesmo tempo. É lógico que não dá pra comparar uma coisa com a outra, mas são situações que se cruzam".

E Casão foi além, ao comentar a vinda ao clube daquele que, hoje, enverga a camisa 9 do Timão, que outrora fora sua, Ronaldo:

"Tanto o Corinthians merece ter um jogador como o Ronaldo, quanto o Ronaldo merece jogar no Corinthians. O Corinthians tem uma coisa especial e o Ronaldo também é um jogador especial. Ele teve problemas, ficou desacreditado. Então, não tem lugar melhor para ele se recuperar do que um clube como Corinthians".

Os percursos de Casão, Ronaldo e do Corinthians se conjugam atualmente numa poesia histórica (para quem quer enxergar). E Casão, assim, como Ronaldo, e o próprio Corinthinas se levantam novamente:

"A recuperação do Corinthians está igual a minha: aos poucos vai voltando ao lugar que merece. Mesmo caindo para série B, o Corinthians é o Corinthians. As pessoas olham para o clube e respeitam. Meu caso é mesma coisa: o que eu fiz, o que eu fui e sou, não tem como apagar. O que aconteceu comigo foi um retrocesso, uma queda para a segunda divisão da vida. Mas eu voltei. Ou melhor, estou voltando aos poucos, adquirindo respeito novamente".


Volta, Casão, você está na história do Timão!

terça-feira, 24 de março de 2009

Jornalismo esportivo covarde ou imprudente?

por Felipe Carrilho

O Estadão publicou na edição de domingo (22/03) uma entrevista de Ronaldo, assinada pelo jornalista Daniel Piza. O texto de introdução da matéria começa assim:

"'Estou adorando'. Ronaldo repetiu a frase algumas vezes, durante a entrevista concedida (...)".

Depois, o jornalista frisa, reiteradamente, a atual felicidade do Fenômeno, atribuindo-a, entre outros fatores, ao bom relacionamento que o jogador conseguiu estabelecer com os seus companheiros de clube.

No final, porém, arremata:
"Seu objetivo é fazer uma temporada inteira de 30 jogos (...). Para isso, um recado aos colegas de equipe: lançar em profundidade. Ele está decidido a continuar 'adorando'". (Grifos meus)

Insinuação "jornalística" covarde, aludindo ao incidente com os travestis, ou pura imprudência negligente? O leitor que decida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Corinthians de Ronaldo, ou Ronaldo do Corinthians?

por Renato Godoy

Com o gol de cabeça que salvou o Corinthians de uma derrota para o maior rival, Ronaldo voltou às manchetes por sua atuação dentro de campo. Com isso, os meios de comunicação trataram de reeditar a “Ronaldomania”, termo quase esdrúxulo cunhado por alguns comentaristas na fase áurea do jogador.

Foi nesse clima que boa parte da torcida compareceu ao Pacaembu para ver o Fenômeno pela primeira vez na casa do Corinthians. É inegável que, para além do jogo do Corinthians, o principal atrativo era o camisa 9. No entanto, colocar a importância do craque sobre o Corinthians, não corresponde com a atitude usual que esta torcida adota: apoiar o time antes de qualquer coisa.

De onde assisti o jogo, na arquibancada laranja, pude observar um interessante “duelo”. Quando o placar passou a anunciar a escalação, as organizadas passaram a gritar mais forte (“Corinthians, Corinthians”), prevendo a reação que o restante do estádio teria com o nome de Ronaldo proferido pelo serviço de som do Paulo Machado de Carvalho. Em vão. O estádio veio abaixo quando o rosto do camisa 9 foi estampado no telão.

Quanto a isso, creio que seja uma reação natural e válida, já que há anos não tínhamos uma contratação desta importância. Ronaldo, não há como negar, é um ídolo nacional. Mas o que considerei um equívoco foi a ânsia com que a torcida do setor xingava jogadores que não passavam a bola para o atacante célebre. Mesmo quando não havia condições de realizar um passe para ele. “Toca pra ele, 6!”, dizia um que não conhecia o nosso volante Christian.

E o time, ao que me parece, cedia a essa histeria, direcionando a bola ao atacante a todo o tempo na primeira etapa.

Soma-se a isso a intolerância de boa parte da torcida com relação a Douglas, que ainda sofre as consequências da fome em Itumbiara. Mas cornetar o camisa 10 é um comportamento injusto e nefasto já que o meia corinthiano vem apresentando lampejos daquele futebol do ano passado. Douglas tem talento e sabe chutar, como já demonstrou, portanto não cabe a ele o mero papel de garçom, como querem alguns. Espero que as poucas vaias não o inibam.

Outro fator que me causou estranheza foi a presença de pessoas com camisetas de clubes em que Ronaldo atuou como Milan de Berlusconi e o Real Madrid dos franquistas, equipes sem qualquer identificação com o Corinthians.

Enfim, o jogo
Antes de completar um minuto de partida, a bola chegou aos pés de Ronaldo que chutou forte da entrada da grande área. O goleiro Luís espalmou. Parecia que seria uma noite infernal de Ronaldo. Entretanto, o atacante perdeu algumas bolas e desperdiçou um gol, como não é de seu feitio.

Aos 7 minutos, em tabela com André Santos, Ronaldo ficou livre para marcar. “Agora ele dá aquela cavadinha e pronto”, pensei. Nada. Chute fraco e rasteiro nas mãos do arqueiro do São Caetano. Como de costume, a equipe do ABC começou a dar trabalho ao Corinthians e tomou as rédeas do jogo. Até que aos 21, Marcelo cabeceou para dentro da meta do instável Felipe.

A torcida fez aquilo que impressionara Ronaldo contra o Palmeiras, segundo o próprio: gritou ainda mais forte na adversidade. Aos 35, André Santos, contrariando alguns torcedores, não passou a bola para Ronaldo, mas arriscou de fora da área, anotando o gol mais bonito da chuvosa noite no Pacaembu. Com o tento, o lateral se redimiu da partida pífia que vinha fazendo.

O São Caetano continuava melhor que o Corinthians. Felizmente veio o intervalo. Com Dentinho no lugar de Boquita, o Corinthians voltou melhor. Aos 5 minutos, Ronaldo, do Corinthians, mostrou que não precisa estar em forma para ser decisivo. Em bola difícil, tocou de primeira para a rede. Para ele pareceu fácil.

O atacante ainda propiciou momentos de deleite para a Fiel. Com técnica acima da média do futebol brasileiro, o atacante humilhou um defensor do São Caetano no meio-de-campo e, melhor ainda, encerrou a jogada com um belo lançamento para Jorge Henrique. Ronaldo saiu aos 30 do segundo tempo, surpreendendo aqueles que esperavam apenas 45 minutos de Fenômeno. Foi aplaudido efusivamente por todos os setores do estádio. Por ser quem ele é e por ter virado o jogo para o Corinthians.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A magia romântica de Ronaldo

por Felipe Carrilho




Um dos gols de Ronaldo que mais me impressionou foi o que ele converteu na copa de 2006, contra a seleção de Gana. O jogador foi lançado pelo meio da defesa, avançou sozinho e, quando estava cara a cara com o goleiro, pedalou com a perna direita, mas com a esquerda limpou o arqueiro e empurrou para as redes.

Num primeiro momento, parece não haver nada de tão especial no lance descrito. No auge de sua carreira, Ronaldo protagonizou jogadas aparentemente mais geniais, como aquele gol da época em que atuava pelo Barcelona, quando arrancou do meio de campo driblando meio time adversário.
O que chamou a minha atenção, porém, foram as circunstâncias em que Ronaldo realizou a jogada contra os ganenses, além, claro, da plasticidade do drible. Visivelmente fora de forma no mundial, o jogador, ainda assim, foi responsável por boa parte dos poucos momentos de brilho daquela desastrada seleção. Com alguns quilos acima de seu peso ideal, sem a agilidade e a velocidade costumeiras, mesmo assim Ronaldo aplicou um drible mágico no goleiro.

Se definirmos magia como qualquer procedimento ou efeito que pareça inexplicável ou fantástico, entenderemos melhor a beleza da jogada em questão. No momento da definição do lance, não apenas a perna destra de Ronaldo pedala para a direita, mas todo o seu corpo pedala junto, ou quase todo, pois a perna esquerda, escamoteada, já está levando a bola para o outro lado, de maneira quase imperceptível, num movimento ilusório, inexplicável, mágico. Qualquer outro goleiro ficaria como ficou o de Gana, caído sentado.

A atuação de Ronaldo no clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians me fez lembrar desse lance. Ainda mais pesado do que há três anos, e sem ritmo de jogo, o Fenômeno só não fez chover, na escaldante Presidente Prudente. Correu, driblou, meteu um "canudo" na trave e fez o gol do empate do Corinthians aos 47 do segundo tempo. As cenas do atacante com os torcedores corintianos derrubando o alambrado são emocionantes e ilustram muito bem a grandiosidade do acontecimento.

Ronaldo foi mágico nesse jogo. Mas, apesar do gol e de sua comemoração, o lance de maior magia, para mim, se deu numa jogada pela ponta esquerda corintiana: Ronaldo está com a bola protegida, em direção contrária ao ataque, com um zagueiro palmeirense em seu calcanhar. Com o corpo inclinado para frente, Ronaldo puxa a bola para trás e gira, deixando o defensor alviverde em desvantagem na corrida. Ele avança e cruza na medida para André Santos cabecear, e o goleiro Bruno fazer uma bela defesa.

Como pôde Ronaldo, estando bastante acima do peso, sem ritmo de jogo e longe de sua velocidade habitual ter aplicado um drible simples como aquele, chegando na frente do zagueiro na jogada? Se Souza, por exemplo, tentasse a mesma finta, muito provavelmente seria travado pelo defensor. A resposta está nos truques que as pernas de Ronaldo desenham, na destreza de seus movimentos que, na atual lentidão de suas execuções, ainda é capaz de ludibriar e assombrar.

Ainda há espaço, no futebol contemporâneo, para expressões de verdadeiro talento. Há quem diga que Garrincha, ou mesmo Pelé, não jogariam tão bem, se atuassem hoje, por conta do forte preparo físico dos marcadores e da velocidade com que o futebol é praticado atualmente. No domingo, Ronaldo demonstrou o contrário, desfilando um futebol mágico que, pela precisão vagarosa de seus gestos, lembrou uma época romântica desse jogo tão popular.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pitacos corintianos para o clássico contra o Palmeiras

por Felipe Carrilho


Apesar da vontade demonstrada em campo, ficou claro, na partida do Corinthians contra o Itumbiara, que Ronaldo ainda está muito longe da forma física de um atleta profissional. Tal constatação obviamente contraria as diversas declarações dadas por membros da comissão técnica corintiana, segundo as quais o que falta agora para o Fenômeno é principalmente ganhar ritmo de jogo. Ronaldo ainda precisa emagrecer e melhorar muito o seu condicionamento físico para se equiparar aos demais jogadores do elenco.

A dois dias do confronto contra o Palmeiras, já sabemos que o camisa 9 corintiano entrará em campo. O que todos se perguntam é se Mano Menezes optará por escalá-lo como titular, ou se promoverá a sua entrada no decorrer da partida. Apesar de todas as adversidades enumeradas acima, entendo que Ronaldo deveria sair jogando desde o início. Na partida contra o Itumbiara, nos poucos 27 minutos em que esteve em campo, jogou melhor do que Jorge Henrique e Souza juntos. Este último, se não bastasse sua condição técnica limitada, se mostrou muito inseguro contra o time goiano, cometendo diversos erros infantis durante todo o tempo em que atuou.

Mano Menezes precisa rever a sua maneira de atuar nos momentos importantes à frente do Corinthians, como nas decisões e nos clássicos. O treinador dá a impressão de sentir o peso da responsabilidade nessas horas. Foi assim na final da Copa do Brasil, no ano passado, contra o Sport, quando optou por montar, antes do jogo, tal esquema de isolamento para a equipe, que esta teve de chegar disfarçada ao aeroporto e hospedar-se a quilômetros de distância do local da partida. Essa estratégia se revelou desastrada, terminando por apequenar o time do Corinthians. Também no recente clássico contra o São Paulo, o excessivamente cauteloso esquema tático adotado pelo comandante, com três zagueiros, possibilitou ao time reserva do Morumbi o domínio completo da partida.

Sugestão de escalação e esquema tático para o Corinthians contra o Palmeiras no próximo domingo:


______________Felipe________________

________Chicão_____William___________

Fabinho______Cristian_____André Santos_

________Elias________Boquita_________

_____________Douglas________________

_______________________Dentinho_____
_____________Ronaldo_______________