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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Acorda, Corinthians!

por Felipe Carrilho

Corinthians e Fluminense fizeram, como não era difícil de prever, um jogo muito fraco, que resultou num melancólico placar de 1 a 1.

O Corinthians sofreu o primeiro gol numa cobrança de escanteio logo no início da partida, e o Fluminense, por alguns minutos, deu a impressão de que faria uma boa partida finalmente. Mas ainda no primeiro tempo o Corinthians empatou com Dentinho (que comemorou timidamente o gol) e passou a dominar o adversário. No segundo tempo, o Corinthians limitou-se a administrar o resultado, mostrando-se nitidamente satisfeito com o placar medíocre.

Depois da partida, como todos podem ler nos noticiários esportivos, Mano Menezes mostrou-se muito irritado e, pela primeira vez à frente do Corinthians, fez veementes críticas públicas aos jogadores, acusando-os de jogar de "barriga cheia", sem empenho, "pensando em 2010".

A atitude de Mano tem duas facetas. A primeira é a mais sincera, que constata, de fato, um relaxamento exagerado do elenco, após as conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Declarações de Ronaldo, depois da derrota por goleada para o Goiás, e a quase ausência de comemoração por parte de Dentinho no gol de ontem são indícios incontestáveis dessa realidade e justificaram, sem dúvida, a atitude do treinador.

A consistência da constatação de Mano, no entanto, não pode encobrir um outro lado mais grave dessa história e que foi habilmente disfarçado pelo discurso do técnico: O Corinthians não tem mais padrão de jogo!

Não gosto de evocar o episódio que foi classificado por muitos como "desmanche", com as vendas de Cristian, André Santos e Douglas para o futebol exterior. Só o faço agora para apontar o fato de que a diretoria do Corinthians não soube "repor as peças", para usar uma terminologia produtivista, tão apropriada para o futebol contemporâneo e que o Mano ainda não encontrou um esquema tático para o novo time.

Cristian era a alma de nosso meio campo, o mais corinthiano de nossos jogadores, com seu estilo técnico e aguerrido, e foi substituído por Marcelo Mattos, que nem no auge de sua carreira jogava a metade do futebol do meio-campista vendido.

André Santos saiu do Corinthians para atuar no futebol turco e hoje é o dono da camisa 6 da seleção brasileira que disputará a Copa no ano que vem. Para o seu lugar, temos o bom e sempre machucado Marcelo Oliveira, o improvisado e mal sucedido Marcinho, o limitado zagueiro Diego. Ontem jogou Balbuena, numa espécie de improviso do improviso.

Douglas, muito importante na campanha da Série B, foi marcado para sempre pelos "Ronaldomaníacos" depois de arriscar um chute ao invés de passar a bola ao galáctico atacante. Hoje, sua ausência é lamentada diante do começo nada animador dos badalados Edno e, principalmente DeFederico, que pode vir, é verdade, a ser um grande jogador...

Mas o problema é que episódios como a contratação midiática do argentino juvenil e os rumores intermináveis de uma possível vinda de Riquelme colocam o planejamento do Corinthians em jogo. Qual o caminho que estamos escolhendo para chegar à esperada Libertadores do centenário? Lamento dizer isso, mas a direção corintiana de hoje lembra a dos sombrios tempos da MSI, ao colocar o marketing acima do futebol, apostando em projetos megalomaníacos, pagos com o retalhamento do manto sagrado e com a extorsão do corinthiano, vitimado por uma lógica elitista aplicada na administração de nosso futebol.

O grande time que o Corinthians tinha até alguns meses atrás foi construído lentamente, levando mais de um ano para atingir o ápice de seu desempenho. Parece que isso foi esquecido... A contratação de Ronaldo coroou um projeto forjado num dia a dia de muita dedicação, entre erros e acertos, que culminou num estilo de jogo coletivo e libertário, como assinalamos depois da partida do primeiro turno do Brasileirão contra o próprio Fluminense.

O Corinthians precisa acordar, a nação corinthiana necessita ver o que realmente está acontecendo! É preciso ir além da mera cornetagem para que o Corinthians possa retomar o seu rumo a tempo e para que 2010 não seja uma tragédia anunciada.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Futebol musical


por Felipe Carrilho



Depois de assistir à vitória do Corinthians sobre o Fluminense, na última quarta-feira (8/7), lembrei-me de um artigo que li, há alguns anos, na saudosa revista Jazz+. O autor (cujo nome a minha memória etilicamente prejudicada não me permite lembrar) buscava defender o estilo bebop das acusações que, na época de seu aparecimento, o rotulavam de "música individualista" e "anárquica", no pior sentido do termo.

Privilegiando pequenos conjuntos, e promovendo uma verdadeira revolução rítmica – com o despontar de novas síncopas e imagens complexas no tempo –, o bebop proporcionou ao solista um destaque nunca pensado antes. O resultado foi o desenvolvimento de um fraseado anguloso, flexível e irregular, que exigia uma técnica instrumental muito apurada por parte do improvisador. Dizzy Gillespie e Charlie Parker foram os grandes precursores do movimento.

Essa espécie de primazia anárquica (no melhor sentido) do solista foi um dos principais pretextos utilizados pelos detratores do jazz para criticar a nova estética que surgia.

A resposta do crítico em questão, por outro lado, apresentava o bebop como um estilo de jazz caracteristicamente coletivo e harmônico. Segundo o autor, as condições determinantes para que o solista pudesse atingir a excelência em suas improvisações eram justamente o entrosamento entre os membros da chamada "cozinha musical" (baterista, contrabaixista e pianista) além, claro, da competência individual de cada um dos músicos. O resultado seria um som em que o esforço coletivo proporcionaria a melhor expressão da individualidade. Algo que alguns teóricos talvez comparassem com o que chamam, em política e sociologia, de "socialismo personalizante".

Não apenas concordo com o ilustre (e, aqui, anônimo) crítico, como acho que o futebol apresentado ultimamente pelo Corinthians edita, dentro das quatro linhas, a dinâmica musical do bebop. Mano Menezes montou um esquema tático em que o funcionamento, às vezes, perfeito de dez jogadores talentosos e entrosados possibilita a um solista fenomenal atingir o ápice de sua capacidade de improvisação futebolística.
Assim como a música do bebop, o futebol corintiano atual insinua, com sua prática coletivista e libertária, possibilidades de realização de utopias. Na era da massificação dos sons e da bola, a música popular e o futebol ainda são capazes de produzir demonstrações dissonantes de resistência. Basta querer ver e ouvir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Incontestável

por Felipe Carrilho

A vitória de ontem foi a cristalização de um processo que começou na Série B, quando o Corinthians começou a traçar um planejamento de fôlego. E não há dúvida de que Mano Menezes é o grande responsável por isso, sempre equilibrado e mantendo uma liderança carismática.

Sob a batuta do treinador, vencemos de maneira incontestável o time que era considerado "o melhor do Brasil" pela grande maioria da imprensa esportiva. E mesmo sofrendo contestações inadequadas ou falaciosas (como a de que o Inter teria perdido o primeiro jogo devido aos desfalques que sofreu) e tentativas de vencer a competição nos bastidores (com o lançamento, por parte de um dirigente-piadista do Internacional, do infame DVD), passamos pelo time completo deles, fora de casa. O placar poderia ter sido o de uma vitória de muitos gols de diferença se o Corinthians não tivesse liquidado completamente a partida nos primeiros 45 minutos.

No ano do centenário, vamos tentar conquistar a Libertadores e estamos no caminho certo. Sem qualquer tipo de propaganda, vale a reprodução da imagem abaixo.


Pelo Corinthians, com muito amor, até o fim!!!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O lado esquerdo

por Felipe Carrilho


Como já é sabido por todos, o Corinthians terá o desfalque de André Santos para o jogo desta noite contra o Internacional.

Ao contrário do que quase toda a cobertura jornalística vem enfatizando, a ausência do lateral representa um dano ao Timão equivalente àquele causado ao Inter pelos desfalques de Bolívar, Kléber, D'Alessandro e Nilmar.

Apenas partindo de um simplório raciocínio matemático é possível concordar com tal tese da imprensa, pois ninguém pode negar que o 4 é um número maior do que o 1. Mas um mínimo de esforço analítico é suficiente para relativizar esta constatação.

Enquanto o Internacional virá ao Pacaembu buscando prioritariamente empatar, ou perder por uma diferença de poucos gols, o Corinthians tem a obrigação da vitória. As ausências mais sentidas pelo Inter - D'Alessandro e Nilmar - referem-se a jogadores fundamentalmente ofensivos. E Andrezinho, por exemplo, provável substituto do meia argentino, tem o forte poder de marcação como uma de suas características.

No Corinthians, por outro lado, o desfalque de André Santos representa um duro golpe na armação das jogadas ofensivas, função que será tão importante para o jogo desta noite. O problema também é agravado pela falta de substitutos com características semelhantes para a posição.

Entre os condidatos à vaga, Diego é um bom zagueiro, mas na partida contra o Vasco, no Pacaembu, mostrou-se um lateral improvisado muito deficiente para realizar a saída de bola. Wellington Saci, embora mais parecido com André Santos na questão da ofensividade, costuma falhar muito na marcação. E, finalmente, Marcelo Oliveira, ótimo jogador, ainda está voltando, depois de 2 anos se recuperando de contusões...

Será uma dura decisão para Mano Meneses, e que São Jorge o ilumine!

Vai Corinthians!!!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um empate

por Felipe Carrilho

Não se pode dizer que o empate de 1 x 1 entre o Corinthians e o Vasco tenha sido um mal resultado para o Timão. Se considerarmos ainda a história do gol fora de casa - aliás, um item esdrúxulo do regulamento que rege a Copa do Brasil - poderemos dizer que o Corinthians construiu ontem uma grande vantagem no Maracanã.

Entretanto, devido às circunstâncias do jogo, o empate representou mais um alívio para os vascaínos do que motivo de satisfação para a Fiel. O time carioca se mostrou tão frágil durante o primeiro tempo que um placar mais elástico parecia inevitável. Mas no segundo tempo, a equipe relaxou demais e permitiu a reação do Vasco.

Mano Menezes, demonstrando a clareza de sempre na leitura do jogo, resumiu bem a questão:

O empate na casa do adversário é bom, mas acho que nós tivemos nosso momento de superioridade no jogo, principalmente no primeiro tempo, e essa superioridade foi tão alta que poderíamos ter feito uma maior quantidade de gols.

A incapacidade demonstrada pelo Corinthians de converter em gols a superioridade apresentada em termos de volume de jogo e oportunidades criadas em campo - verificada também, em alguns momentos, nas partidas contra o Fluminense - parece estar relacionada a certa tranquilidade e confiança excessiva por parte do time de modo geral. O treinador, porém, há tempos demonstra ter percebido esta tendência no conjunto e, em especial, em alguns jogadores. As cobranças públicas sobre André Santos, em partidas passadas, por exemplo, mostraram isso. E, na entrevista após o jogo, Mano não deixou de abordar o problema:

Temos que aprender a aproveitar o nosso momento. Precisamos aprender a ser mais incisivos na hora da superioridade e transformar isso em vitórias, pois futebol é feito de vitórias. (...) Segurar a bola é uma situação do jogo, mas temos feito um pouquinho de confusão com isso.

Mano detectou o ponto fraco, mas o time precisará absorver a crítica e mudar de postura para sermos campeões.

As flores
Souza fez ontem a sua melhor partida com a camisa do Corinthians. Mesmo não marcando gols, movimentou-se bastante e articulou jogadas ofensivas, dando bons passes.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Balanço final do Paulistão corintiano

por Felipe Carrilho

Depois de enfrentar um árduo Campeonato Paulista, o Corinthians se sagrou campeão pela 26ª vez e, de maneira invicta, pela 5ª vez em sua história: 1914, 1916, 1929, 1938 e 2009.

Foi uma competição emocionante para nós, corintianos. Após fazer uma grande campanha na série B, o Corinthians iniciou o campeonato estadual inseguro e instável. A maneira tímida como Mano Menezes escalava o time nos primeiros clássicos ilustra bem isso. Havia uma nítida preocupação em se autoconvencer primeiro de que era possível vencer os grandes rivais. Talvez Mano tenha demorado a perceber o real valor de seu time, mas o fez a tempo, surpreendendo a todos com o esquema tático ofensivo que montou para as semifinais e finais do campeonato.

Outro ponto a salientar foi a maneira como eliminamos o São Paulo. Atual campeão brasileiro, o time mais pretensioso do Brasil caiu ante um Corinthians claramente melhor nos dois jogos das semifinais. Ronaldo, como havia sido contra o Palmeiras e seria frente ao Santos, foi decisivo e mágico na ocasião.

Mano e Ronaldo

Outro ponto positivo foi o modo como Mano Menezes conduziu a adaptação de Ronaldo ao Corinthians. Muito sereno e profissional, o técnico soube escalar o craque nas horas apropriadas, não cedendo a pressões de patrocinadores, mídia etc. Boa parte de seu grande rendimento, Ronaldo deve à sabedoria de Mano Menezes.


O craque do time

Nem Ronaldo, nem Elias, ou Felipe. O jogador mais importante do Corinthians foi Cristian. Volante discreto, foi um leão no meio campo corintiano. Sua capacidade de marcação e senso de posicionamento foram fundamentais para que Mano Menezes se sentisse seguro para abandonar de vez o esquema com três zagueiros. Ainda que isso não bastasse, Cristian fez também os seus gols, como o inesquecível que marcou contra o São Paulo, no primeiro jogo da semifinal, encarnando a alma corintiana.

Porém...

A lamentar, apenas algumas questões: O modo como o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tentou chamar mais a atenção do que os jogadores, erguendo a taça antes do capitão Willian! Do mesmo modo, o intruso bando de políticos presentes na premiação.
Além disso, como lucidamente salientou Ronaldo, a desorganização da festa - que colocou o nosso capitão em perigo, ao se ver envolvido pelo pequeno incêndio causado pelos fogos de artifício - e finalmente, o assédio exagerado dos jornalistas sobre o fenomenal centroavante.

Apesar dos pesares, aqui é Corinthians!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Algumas observações sobre a vitória épica

por Sérgio Marcondes

1) Mano Menezes ganhou taticamente o jogo. O Corinthians jogou bem, não ficou retrancado, foi pouco pressionado e foi preciso nos contra-ataques. Aliás, o segundo tempo mostrou a diferença entre um meia, que se não é sempre genial, sabe cumprir bem seu papel, dá toques rápidos, faz lançamentos e carrega bem a bola, como Douglas, e um bom volante que foi transformado em meia e exaltado exageradamente, como Hernanes.

2) Ronaldo fez a diferença mais uma vez, não só pelo pique fenomenal (com trocadilho) no lance do segundo gol, mas também pela visão de jogo que demonstrou ao dar o passe para Jorge Henrique, na jogada que resultou no primeiro gol. Como disse Tostão, ele ainda pensa e age mais rapidamente do que os outros jogadores.

3) Curioso o jornal "O Estado de S. Paulo" colocar ontem, como uma das razões para o resultado do jogo, que o São Paulo "cansou de perder gols" no primeiro tempo... Com muita boa vontade, lembro de duas chances de gol do time no primeiro tempo, um chute de Jorge Wagner e uma jogada de Washington (que, para variar, estava impedido e tinha feito falta não marcada...). Nada que demonstre uma pressão terrível ou uma sucessão de chances desperdiçadas. Será que ainda é uma tentativa de aliviar o vexame do São Paulo, na linha do "resultado injusto"?

4) O time do São Paulo morreu totalmente depois do segundo gol, não conseguia criar mais nada e parecia sem ânimo até para marcar... O resultado só não foi maior porque o Corinthians também diminuiu o ritmo, e não parecia acreditar no que aconteceu. Para um time tão bem preparado fisicamente, tão superior técnica e taticamente, com uma torcida tão maravilhosa, e tantas qualidades únicas (sempre de acordo com a própria visão que os são-paulinos demonstram do time, é claro), não seria um vexame? 2 a 0, faltando mais de 30 minutos, é um resultado bem possível de tentar ser revertido, para qualquer time que tivesse mais garra e dedicação. A não ser que a arrogância e a confiança na vitória fossem tão grandes que o time tenha sido enormemente surpreendido, o que seria um fato bastante revelador do espírito costumeiro do São Paulo.

5) Para encerrar, uma ótima piada, copiada do blog do Juca Kfouri: "Como o São Paulo podia pensar em ganhar o jogo, se entrou em campo com 11 goleiros"? :)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Vitória na moral e na bola

por Renato Godoy
Findado o período em que a torcida são-paulina/imprensa consideravam o Corinthians como “freguês” do São Paulo, a Nação Corinthiana passou a aguardar ansiosamente pela restituição da normalidade: derrotar o São Paulo em um jogo decisivo.

No entanto, os mais otimistas não poderiam imaginar que a recompensa viria de forma tão generosa e repleta de simbolismos. Além de vencer os dois jogos, o Corinthians obrigou o São Paulo a contradizer-se vergonhosamente. Entre as duas vitórias do Timão, optaram por um time reserva para poupar os titulares para o jogo mais importante. Ou seja, priorizaram o “paulistinha”, organizado por seus “inimigos” da Federação Paulista, em detrimento da Libertadores. Normal? Sim, mas não para o São Paulo e seu cosmopolitismo autodeclarado.

Para o corinthiano, que passou as maiores vergonhas de sua vida nos últimos anos, não bastavam as vitórias contra o rival. Era preciso algo mais. A empáfia e arrogância dos dirigentes do clube do Morumbi tinham de ser respondidas, à maneira do Corinthians. E assim Ronaldo e Mano Menezes fizeram. O primeiro chamou o vice-presidente são-paulino, que o zombara, de “
babaca que fala merda”; já o treinador ironizou Muricy Ramalho e sua “bola de cristal”.

Outra revelação simbólica, que não vi ninguém questionar até agora, é a maneira “amadora”, “antiprofissional” e “terceiromundista” – para usar o jargão do clube – como a diretoria do SP se comportou horas antes do início do jogo deste domingo. Antes da abertura dos portões, o setor destinado à Fiel foi “decorado” com penas de galinha e milho, aludindo ao apelido que eles inventaram, sem sucesso, para o Corinthians. Nada condizente com a modernidade e a racionalidade e outros jargões pregados por eles.

Quase impecável
Não só os acontecimentos simbólicos listados acima fizeram a alegria dos corinthianos. Dentro de campo o time apresentou superioridade nos dois jogos. Sem nenhum brilho, é fato, o time demonstrou raça e competência, ciente de suas obrigações, sem vacilações. Não teve qualquer tipo de demonstração de desespero, ao contrário do adversário.

Vale ressaltar o retorno de Douglas, que teve uma apresentação exuberante, lembrando suas partidas do ano passado.
A bola de cristal do Felipe parece ser mais confiável do que a do técnico do São Paulo.

O setor defensivo mostrou-se impecável. As únicas complicações no jogo decisivo partiram de falhas individuais, de Ronaldo e Alessandro. Este último, aliás, fez excelente partida, aparecendo em todos os lados do campo e lutando muito pelas bolas, além da eficiência demonstrada nos passes.

O camisa 9 corinthiano errou muitos passes no início do jogo e apresentou um problema recorrente: dificuldade para dominar bolas. Mas, o camisa 9 chama-se Ronaldo. Em dois lances decidiu a partida. No primeiro, uma virada de bola extraordinária para Jorge Henrique. Dois minutos depois, após uma bola perfeita de Cristian, deixou o zagueiro Rodrigo comendo poeira e finalizou com a precisão daquele Ronaldo. O Corinthians somou 4 x 1 no placar agregado. E poderia ter sido mais.
Se fosse aqui...
O São Paulo somou 3 derrotas em uma semana. Duas delas, para o seu maior rival, representaram a eliminação em um torneio que foi priorizado. Se fosse o Corinthians que se encontrasse nessa situação, a imprensa definiria tal momento com uma palavra: crise!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Semifinal: Corinthians x São Paulo

por Felipe Carrilho

Mano Menezes

Em meio a boatos de que o Corinthians entraria em campo com três zagueiros - com Fabinho improvisado na defesa pelo lado direito, num papel similar ao que fazia Escudero pela esquerda -, o treinador corintiano surpreendeu a todos, escalando um time bastante ofensivo com três atacantes:

_________________Felipe_______________

___________Chicão______Willian_________

Alessandro__________________André Santos

________________Cristian_____________

____________Elias______________________
____________________Douglas___________

Jorge Henrique__________________Dentinho

_______________Ronaldo________________

O resultado da ousadia foi o melhor desempenho do Corinthians em clássicos sob o comando de Mano Menezes.

São Paulo

A equipe do Morumbi abdicou de jogar o tempo inteiro, postando-se na defesa. Em má fase, Rogério Ceni procurou retardar a reposição de bolas desde a sua primeira participação no jogo. Os números da partida ilustram bem a proposta são-paulina. Enquanto o Corinthians trocou 397 passes, o São Paulo passou a bola apenas 159 vezes. Além disso, o Timão finalizou 19 vezes, o São Paulo apenas 9.


Os destaques

Os melhores jogadores corintianos da partida foram os autores dos gols: Elias e Cristian. Ambos representam o diferencial do meio-campo corintiano, pois combinam forte marcação e boa tecnica. Cristian, por exemplo, não errou nenhum passe durante a partida.


Balanço final

Apesar de reverter a vantagem (o Corinthians joga pelo empate no próximo domingo no Morumbi), o resultado do jogo foi bastante magro, dadas a superioridade do volume de jogo corintiano e as claras chances de gol criadas. Um placar 3x1 representaria melhor o que foi o jogo. Sem falar que, a despeito de todas as reclamações são-paulinas relativas à arbitragem, no gol de Miranda houve duas irregularidades: um empurrão que tirou o zagueiro Chicão da jogada, além da posição de impedimento em que estava o são-paulino no momento em que a bola foi lançada.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

45 minutos para garantir a vaga

Por Renato Godoy

Mano Menezes desta vez não decepcionou. Ousou na escalação do Corinthians relacionando apenas um “volante-volante” (Christian) e três atacantes. Coincidência ou não, os 45 minutos iniciais, em que o time definiu o placar de 3 x 0, tiveram grande atuação de Elias, que foi sacado no intervalo para dar lugar a Túlio.
Com a saída do camisa 7, o Corinthians ficou menos insinuante, sem saber ao certo o que fazer com a bola, apesar de tê-la em seus pés na maior parte do tempo. Tal indecisão do time gerou até vaias dos setores mais abastados do estádio. Isto quando o time já vencia por 3x0!Pela terceira vez seguida, Ronaldo atuou durante todo o jogo. A cada atuação do centroavante ficam provadas duas coisas: ele é realmente um Fenômeno e está longe de estar em forma.
O camisa 9 errou passes, perdeu bolas por falta de agilidade e finalizou com a precisão de sempre. Aliás, fez dois gols legítimos. O mais bonito, no segundo tempo, foi erroneamente anulado. Sofreu falta que deu origem ao terceiro gol e participou até de jogada bem ensaiada, colocando André Santos na linha de fundo, mas faltou a conclusão de um cabeceador. Já no fim do jogo, sem ter opções, encarou dois zagueiros, colocou a bola atrás deles e arrancou para alcançá-la novamente. Não obteve êxito, mas lembrou os velhos tempos. Com toda a falta de forma, soma 5 gols em 7 jogos. Fenômeno.
Outro “destaque” da partida foi a ausência de Douglas. Apesar de eu ser um defensor do meia corinthiano, foi visível a maior mobilidade e eficiência no meio de campo. Sem brilho ou passes geniais – como o Douglas do ano passado -, Wellington Saci deu conta da armação.
Com a classificação para a segunda fase garantida, especula-se que Mano possa escalar um time misto diante do Mirassol, no domingo. No entanto, o jogo contra o time do interior não deve ser encarado como cumprimento de tabela. Se o São Paulo vencer quinta-feira ou no domingo, o Corinthians sofre o risco de perder novamente a segunda posição. A vantagem de dois empates num eventual confronto contra o SPFC nas semifinais não pode ser desprezada.

Contrassenso
Um destaque positivo foi a presença de 21 mil torcedores no Pacaembu, mesmo no horário ridículo das 21h50. Este horário antitorcedor foi criado para adequar os interesses da emissora das novelas, no entanto, a partida desta terça não foi televisionada. Aliás, agora o canal de TV faz campanha, aos moldes do jornalismo cidadão, para que a prefeitura e o governo do Estado disponibilizem linhas para o retorno dos torcedores. Como se estivesse isenta de culpa nesse tratamento dispensado aos freqüentadores de estádios.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ponderações corintianas sobre o clássico contra o Santos

por Felipe Carrilho

Mano Menezes
O técnico venceu finalmente o seu primeiro clássico, após quase um ano e meio à frente do clube do Parque São Jorge. O êxito se deveu não apenas à fragilidade do time do Santos frente aos outros grandes paulistas, mas também à coragem demonstrada pelo treinador corintiano na montagem ofensiva do esquema tático, escalando também jogadores mais leves e habilidosos.


Perspectivas corintianas
Hoje, o torcedor do Corinthians já pode sonhar com o título paulista. Com uma base sólida, de jogadores do ano passado, que permaneceu no clube e um esquema tático amadurecido, o Timão segue como forte candidato. Mas, o que parece confirmar este palpite, é a possibilidade de que, no quadrangular final, Douglas, Morais, Dentinho e, claro, Ronaldo estejam finalmente em boa forma física. Este quarteto ofensivo corintiano não deverá nada a ninguém.

Dentinho

O camisa 31 do Corinthians, muito melhor do que o seu concorrente de posição, Jorge Henrique, foi o grande destaque do clássico e deve permanecer como titular.

Marcelo Teixeira
O presidente do Santos não demonstrou o equilíbrio emocional necessário a um dirigente de futebol profissional. Apesar de o Corinthians, assim como o São Paulo outrora, ter rompido a tradição de dividir igualmente o espaço das arquibancadas para as duas torcidas adversárias, Marcelo Teixeira não tinha o direito de incitar a violência entre os torcedores.

quinta-feira, 19 de março de 2009

De novo, a hora de Mano


Por Renato Godoy



Mais uma vez Mano Menezes chega a um clássico com a obrigação de vencer. Nos maiores confrontos do ano, repetiu a postura tímida dos clássicos do ano passado. Ao menos conseguiu sair com dois empates – com até certo gosto de vitória.
A verdade é que o comandante corinthiano precisa mostrar uma audácia que o cacife para ser o técnico do centenário do clube de Parque São Jorge. Título este que deve ser almejado pela maioria dos principais treinadores do país.
Tirante os clássicos, Mano tem histórico acima da média no Corinthians. Mas os números podem mentir. Para o corinthiano o assunto ainda dói. Mas, vale lembrar, que no ano de 2008 a maioria dos adversários do Timão eram da série B. A título de ilustração, coloco abaixo os jogos que o treinador corinthiano disputou contra times pertencentes à Série A:

2008
27/01 Corinthians 0 x 0 São Paulo
20/02 Corinthians 1 x 0 Portuguesa
02/03 Corinthians 0 x 1 Palmeiras
26/03 Santos 2 x 1 Corinthians
16/04 Goiás 3 x 1 Corinthians
30/04 Corinthians 4 x 0 Goiás
20/05 Botafogo 2 x 1 Corinthians
28/05 Corinthians 2 x 1 Botafogo
04/06 Corinthians 3 x 1 Sport
11/06 Sport 2 x 0 Corinthians

2009
22/01 Corinthians 2 x 2 Barueri
15/02 São Paulo 1 x 1 Corinthians
08/03 Palmeiras 1 x 1 Corinthians
15/03 Santo André 0 x 0 Corinthians

Apenas 4 vitórias em 14 jogos. Sendo que todos esses êxitos foram em casa. Neste ano, nenhuma vitória, mas também nenhuma derrota. Nos jogos da Copa do Brasil, todas as vitórias em casa foram “retribuídas” com derrotas nos campos adversários. Uma das 4 vitórias, diga-se, foi contra a Portuguesa, que meses depois voltou à série B.
Por essa ótica, o desempenho de Mano está muito aquém do esperado. Afinal, o campeonato deste ano, felizmente, será o da primeira divisão. Outro fator a perturbar Mano Menezes é o fato de a equipe ter vencido jogos apenas contra aqueles que frequentam as partes menos nobres da tabela do Paulistão. O adversário melhor posicionado que o Corinthians venceu foi o São Caetano, que ocupa a 9ª colocação.
É verdade que o Corinthians é o único time paulista invicto na temporada, mas, convenhamos, está longe de convencer a Fiel.
Domingo
Com o perdão da obviedade, acredito que o Santos deve ser um adversário duro para o Corinthians. A obrigação de vencer está em ambos os lados. Já que, principalmente no caso do time do litoral, a classificação para a próxima fase não está consolidada. Analisando o lado que me interessa, as prováveis ausências de Chicão e Elias são preocupantes. Conforme já foi dito aqui, a escalação de Túlio em clássicos é uma temeridade, dado o desequilíbrio do volante. Escudero seria um risco ainda maior, já que o defensor argentino parece continuar na sua busca incessante pela primeira expulsão no futebol brasileiro. Ainda que seu último cartão tenha sido aplicado mais pela sua fama do que pela infração em si. Na eventual ausência de Chicão, aponto como melhor opção o jovem Diego. Por fim, se Ronaldo for implacável como de costume, Dentinho atuar como no último jogo o Santos sofrerá para segurar o ataque do alvinegro da capital. Mano Menezes tem grandes chances de sair vitorioso de um clássico pela primeira vez. Mas para isso é preciso ousadia. E ela tem de partir do comando técnico.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Agora sim: é dia 8!

por Renato Godoy


O “dia 8”, exaltado há cerca de um mês pela torcida rival nos estádios, chegou. Dado o importante passo para a próxima fase da Copa do Brasil, todo o corinthiano que se preze não para de pensar, sonhar e divagar sobre o clássico na cidade do Prudentão, do Pop’s Drinks e do, felizmente, ex-diretor do Corinthians, Antônio Carlos.

Tenho família em Prudente, morei lá por um tempo, e posso afirmar categoricamente: o calor de lá é insuportável. Itumbiara ou o CT de Itaquera ficam no chinelo quando o assunto é temperatura. Os relatos que vêm do Oeste Paulista asseguram: no domingo a temperatura deve circundar os 35 graus. Se os torcedores que irão ao Prudentão, que leva o odioso nome de José Eduardo Farah, sofrerão com a temperatura, certamente os jogadores a sentirão ainda mais. Nada positivo para quem espera ver um Ronaldo voando em campo.

Sob essas condições, aproveitando a sessão de “pitacos” inaugurada pelo Felipe, arrisco minhas sugestões para o clássico.

Palpitando

Primeiro, Ronaldo só no segundo tempo. Sei que a ansiedade para ver o atacante em um jogo importante é imensa. No entanto, pelo que foi mostrado em Itumbiara, ele não está pronto para atuar nos primeiros 45 minutos. Não que eu esteja descontente com a primeira atuação dele. Como disse o Felipe, jogou mais que os nossos dois titulares da frente. Sem dúvida, em dois lances ele demonstrou o potencial do antigo Ronaldo, mas numa versão mais idosa e obesa. Porém, acredito que a entrada dele nos primeiros minutos do segundo tempo seria mais vantajosa. Já que ele enfrentaria um adversário já desgastado e, às 17 horas, o calor tende a amenizar, um pouco.

No ataque, o time deveria começar com Dentinho e Otacílio, que corre mais que o nosso 9 na fase Fenômeno, com exagero e tudo. Sobre o time sugerido pelo companheiro Carrilho, Boquita de semi-volante, como no último jogo, não dá. Há grandes chances de o garoto, que demonstra talento, ser fritado se continuar fazendo essa função. Se bem que Túlio também não é uma grande opção para a posição. Aliás, Túlio dá vontade de chorar, como ele gosta. Já mostrou-se despreparado para clássicos e momentos decisivos.

Então, a minha escalação ideal seria: Felipe; Fabinho, Chicão, William e André Santos; Christian, Elias, Boquita e Douglas; Dentinho e Otacílo Neto.

Chegou a hora, Mano!

Sobre o nosso treinador, afirmo que desde 2005 não tínhamos um time, com padrão tático. Desde o ano passado, temos uma equipe sólida, com a escalação que a maioria dos corinthianos conhece de cor, do goleiro ao "ponta-esquerda". Sem dúvida esse mérito deve ser creditado ao Mano.

A questão levantada aqui neste blog é pertinente. Infelizmente o comandante alvi-negro tende a adotar uma estratégia mais defensiva e até covarde em alguns momentos decisivos, como na tragédia da Ilha do Retiro.

Vale lembrar que não ganhamos clássicos sob o comando de Mano Menezes. Aliás, a principal vitória dele foi contra o Botafogo, na semi-final da Copa do Brasil de 2008. Esperamos muito mais dele. Não restam dúvidas que, para crescer sua identificação com o Corinthians, ele deve ser mais agressivo nos momentos cruciais. Que assim seja no domingo.

Pitacos corintianos para o clássico contra o Palmeiras

por Felipe Carrilho


Apesar da vontade demonstrada em campo, ficou claro, na partida do Corinthians contra o Itumbiara, que Ronaldo ainda está muito longe da forma física de um atleta profissional. Tal constatação obviamente contraria as diversas declarações dadas por membros da comissão técnica corintiana, segundo as quais o que falta agora para o Fenômeno é principalmente ganhar ritmo de jogo. Ronaldo ainda precisa emagrecer e melhorar muito o seu condicionamento físico para se equiparar aos demais jogadores do elenco.

A dois dias do confronto contra o Palmeiras, já sabemos que o camisa 9 corintiano entrará em campo. O que todos se perguntam é se Mano Menezes optará por escalá-lo como titular, ou se promoverá a sua entrada no decorrer da partida. Apesar de todas as adversidades enumeradas acima, entendo que Ronaldo deveria sair jogando desde o início. Na partida contra o Itumbiara, nos poucos 27 minutos em que esteve em campo, jogou melhor do que Jorge Henrique e Souza juntos. Este último, se não bastasse sua condição técnica limitada, se mostrou muito inseguro contra o time goiano, cometendo diversos erros infantis durante todo o tempo em que atuou.

Mano Menezes precisa rever a sua maneira de atuar nos momentos importantes à frente do Corinthians, como nas decisões e nos clássicos. O treinador dá a impressão de sentir o peso da responsabilidade nessas horas. Foi assim na final da Copa do Brasil, no ano passado, contra o Sport, quando optou por montar, antes do jogo, tal esquema de isolamento para a equipe, que esta teve de chegar disfarçada ao aeroporto e hospedar-se a quilômetros de distância do local da partida. Essa estratégia se revelou desastrada, terminando por apequenar o time do Corinthians. Também no recente clássico contra o São Paulo, o excessivamente cauteloso esquema tático adotado pelo comandante, com três zagueiros, possibilitou ao time reserva do Morumbi o domínio completo da partida.

Sugestão de escalação e esquema tático para o Corinthians contra o Palmeiras no próximo domingo:


______________Felipe________________

________Chicão_____William___________

Fabinho______Cristian_____André Santos_

________Elias________Boquita_________

_____________Douglas________________

_______________________Dentinho_____
_____________Ronaldo_______________