quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um empate

por Felipe Carrilho

Não se pode dizer que o empate de 1 x 1 entre o Corinthians e o Vasco tenha sido um mal resultado para o Timão. Se considerarmos ainda a história do gol fora de casa - aliás, um item esdrúxulo do regulamento que rege a Copa do Brasil - poderemos dizer que o Corinthians construiu ontem uma grande vantagem no Maracanã.

Entretanto, devido às circunstâncias do jogo, o empate representou mais um alívio para os vascaínos do que motivo de satisfação para a Fiel. O time carioca se mostrou tão frágil durante o primeiro tempo que um placar mais elástico parecia inevitável. Mas no segundo tempo, a equipe relaxou demais e permitiu a reação do Vasco.

Mano Menezes, demonstrando a clareza de sempre na leitura do jogo, resumiu bem a questão:

O empate na casa do adversário é bom, mas acho que nós tivemos nosso momento de superioridade no jogo, principalmente no primeiro tempo, e essa superioridade foi tão alta que poderíamos ter feito uma maior quantidade de gols.

A incapacidade demonstrada pelo Corinthians de converter em gols a superioridade apresentada em termos de volume de jogo e oportunidades criadas em campo - verificada também, em alguns momentos, nas partidas contra o Fluminense - parece estar relacionada a certa tranquilidade e confiança excessiva por parte do time de modo geral. O treinador, porém, há tempos demonstra ter percebido esta tendência no conjunto e, em especial, em alguns jogadores. As cobranças públicas sobre André Santos, em partidas passadas, por exemplo, mostraram isso. E, na entrevista após o jogo, Mano não deixou de abordar o problema:

Temos que aprender a aproveitar o nosso momento. Precisamos aprender a ser mais incisivos na hora da superioridade e transformar isso em vitórias, pois futebol é feito de vitórias. (...) Segurar a bola é uma situação do jogo, mas temos feito um pouquinho de confusão com isso.

Mano detectou o ponto fraco, mas o time precisará absorver a crítica e mudar de postura para sermos campeões.

As flores
Souza fez ontem a sua melhor partida com a camisa do Corinthians. Mesmo não marcando gols, movimentou-se bastante e articulou jogadas ofensivas, dando bons passes.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Divulgação

terça-feira, 19 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A mídia ainda são-paulina?

por Sérgio Marcondes

Uma das coisas que mais tem me incomodado nos últimos anos, ao ler os cadernos de esportes dos jornais paulistanos e ver os programas e transmissões de TV, é que, com raríssimas exceções, sempre se difunde a visão da diretoria e da torcida do SPFC sobre tudo, sem qualquer crítica, qualquer contraponto e muitas vezes favorecendo os interesses do clube, sendo colocados como se fossem naturalmente os melhores e mais válidos, e ajudando ao marketing são-paulino, que procura fazer do seu time algo completamente diferente e imensamente superior aos outros clubes de futebol brasileiros. Achava que, talvez, uma das razões disso fosse que, bem ou mal, o SP tem vencido campeonatos nos últimos anos, o que, de um ponto de vista pragmático, daria um pouco de razão a esta postura. Mas o primeiro semestre de 2009 tem demonstrado o contrário: o SP não ganhou nada, tem jogado bem mal, foi eliminado com duas derrotas para o Corinthians do Paulista, e mesmo assim a postura da mídia não mudou em nada. Querem alguns exemplos?

1) A questão dos jogos no México da Libertadores. Sem entrar em outras questões, como a histeria criada em torno da nova gripe (quando existem doenças que matam muito mais pessoas, aqui mesmo no Brasil), ou a participação dos mexicanos em um torneio de outra confederação, a solução encontrada foi aprovada unanimemente por todos os jornais e TVs, e até por blogs de corinthianos como o Juca Kfouri. Eu já vi até alguns comentários, em transmissão de outros jogos, do tipo "se os mexicanos não querem jogar, nós queremos", e tal, que invertem totalmente a história! Ora, os mexicanos não quiseram jogar apenas uma partida fora de casa na casa do seu adversário (como se outros times fossem aceitar)! Outras soluções, como um jogo só em campo neutro, foram rapidamente descartadas, embora todos se apressem a descartar que haja vantagem para o SP ou qualquer preconceito contra os mexicanos... (embora o campeonato deles já tenha sido reiniciado e não haja qualquer recomendação da OMS para evitar viagens ao país). O mais curioso (ou patético) nessa história foi ver o Muricy, que morou no México vários anos e é adorado lá, se complicando todo para tentar defender a decisão da Conmebol sem criticar os mexicanos... Mas até ele, que é um funcionário do clube, foi menos "são-paulino" nos comentários do que os jornalistas.

2) Vamos fazer um exercício de imaginação. Já pensaram, se o Ronaldo tivesse ido para o SPFC e estivesse jogando com o mesmo nível de hoje em dia, quantas reportagens, menções e declarações de são-paulinos apareceriam sobre o centro de recuperação do time, seus médicos, fisiologistas, sua estrutura de nível inigualável no Brasil, que atrai até jogadores estrangeiros, seus métodos revolucionários, etc.? Em compensação, alguém viu ou leu alguma matéria sobre o centro de recuperação do Corinthians em relação ao Ronaldo? Eu, pelo menos, não vi nem li nada...

3) Como foi mostrado em um post de outro ótimo blog (http://bloguedotimao.wordpress.com/2009/05/06/post-26-acho-que-sampa-nao-tera-estadio-para-a-copa-do-mundo/), o Morumbi tem muito mais problemas para sediar a Copa de 2014 do que eu pensava. Questões de estrutura, de estacionamento, mesmo de capacidade para ser ampliado. Mas eu, lendo jornais e vendo reportagens de TV, nunca soube disso, parecia que a decisão já estava sacramentada, que o Morumbi não tem problema nenhum, que só precisa de uma ou outra obrinha mínima, e que é um estádio de nível internacional, de qualidade indiscutível, e motivo de inveja de todas as torcidas do Brasil e talvez do mundo...

4) Por fim, todo início de ano os diretores do SP dão entrevistas exaltando as contratações do time, "cirúrgicas", "brilhantes", "de nivel europeu", que tornarão um time que já é ótimo praticamente invencível. E o que acontece depois? Mais da metade dos reforços nem joga direito, alguns são vendidos sem nenhum alarde, poucos realmente se estabelecem no time... De 2008, Joilson, Juninho, André Lima, só para citar alguns "craques" que vieram e já foram embora sem terem feito nada ou são reservas dos reservas, sem nenhum comentário dos são-paulinos. Fora que, no ano passado, teve gente que disse que com o Adriano o SP seria invencível... E este ano? O contratado para a lateral-direita (Wagner Diniz) tem sido quarta ou quinta opção na posição, outros nomes nem jogado têm, e mesmo os que estão como titulares, Júnior César, Arouca e Washington, estão passando longe de serem reforços brilhantes para o time. E alguém, em algum lugar, se preocupa em questionar os diretores, ou lembrar das declarações iniciais deles, talvez mostrar que o SPFC não é tão infalível como gosta de se fazer?

São alguns exemplos (nem de longe os únicos) de como a mídia "compra" sistematicamente tudo que vem do SPFC, e trata de maneira desequilibrada esse time em comparação aos outros daqui. Será que algum dia isso vai melhorar? Ou os interesses econômicos não permitem isso?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Onde estão nossos ídolos???

Para provar que este blog, embora corintiano até nos ossos, adota uma postura "ecumênica" em relação a torcedores de outros clubes, publicamos, abaixo e extraordinariamente, um texto de um amigo que, apesar de palmeirense, é muito gente boa:
por Marcelo Russo

Numa época em que o futebol é apenas dinheiro aos olhos de muitos atletas, conseguimos garimpar algumas pessoas que fazem o seu trabalho não apenas pela parte financeira, mas também por amor.

Exemplo disso é Marcos Roberto Silveira Reis, ou simplesmente Marcos, São Marcos, Marcão. Goleiro da SE Palmeiras, vem se destacando no clube já há gloriosos 10 anos. Sua trajetória ao longo deste período, fez ele tornar-se um ídolo incontestável da torcida palmeirense.

Muitos desses torcedores, por outro lado, não têm a devida paciência quando uma contusão mais séria acontece e Marcos tem que se afastar e, por exemplo, em seu retorno, precisa levar um tempo para ter de volta sua forma física.

Como todo ser humano, Marcos é passível de erros. Suas falhas, que não são muitas, ainda são lembradas, mas será que recordamos de todas as vezes que ele salvou o time?

Enfrentamos uma carência tão grande de ídolos que, além de se identificarem com a torcida, jogam por amor ao trabalho. Além do exemplo de Marcos, temos, num passado cada vez mais distante, muitos outros que fizeram história em seus respectivos clubes, tais como: Sócrates, Neto e Marcelinho (Corinthians), Ademir da Guia e Oberdan (Palmeiras), Raí (São Paulo), Pelé, Clodoaldo e Pepe (Santos), assim como tantos outros que me faltam à memória.

Se formos analisar, nos dias de hoje, quem é ídolo em algum clube? Se eu estiver dizendo bobagem, por favor me corrijam, mas vejo apenas Marcos e Rogério Ceni, pelo Palmeiras e São Paulo respectivamente. Nem vou citar o Ronaldo do Corinthians, porque ele não se encaixa exatamente no que eu quero mostrar, pois chegou há apenas alguns meses e, apesar de estar jogando e ajudando o Corinthians, não tem a mesma história que nossos dois exemplos acima.

E o Santos, Portuguesa, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Atlético Mineiro têm quem? Viram onde quero chegar? Faltam a vários clubes não alguém que venha de algum lugar, se identifique e vá embora, depois de uma temporada ou um campeonato, atraído pelo tilintar das moedas estrangeiras.

Por isso, parabéns a Marcos e Rogério Ceni, que ainda conseguem levar no coração o escudo e as cores de seu time, sem se deixar abalar pelos altos e baixos da carreira. Sinto pena dos torcedores carentes de ídolos, pela falta de competência de alguns dirigentes, que só visam o lado lucrativo do futebol.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Por uma diretoria corintiana


por Felipe Carrilho

Segue, abaixo, uma lista de preços de ingressos para assistir aos jogos do Corinthians, de acordo com cada setor, retirada do site oficial do clube:

Arquibancada Pt Principal
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Arquibancada Amarela Pt 3
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Arquibancada Pt 21
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Tobogã
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Cadeira Especial Laranja
R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

Numerada descoberta
R$150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia)

Área VIP Corinthians
R$ 250,00 (inteira) / R$ 125,00 (meia)

Arquibancada Pt 22 - Visitante
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)
(grifos meus)

Quem frequenta o Pacaembu pode perceber, pela análise desta vil tabela de preços, que o setor especial laranja passou, em pouco tempo, do preço de R$ 40 a R$ 70 e, finalmente, aos extorsivos R$ 100, num aumento de 150%!!!

Além disso, os ingressos mais "baratos" (R$ 30) referem-se aos setores de visão e condições de acesso mais precárias. Quem já assistiu a um jogo do Corinthians do "tobogã", por exemplo, sabe que, apesar da empolgação dos torcedores, é uma batalha para conseguir entrar no estádio, as arquibancadas ficam atrás do gol e longe do campo, além de o setor estar sempre superlotado.

Como Renato Godoy mostrou, no texto abaixo, a majoração nos preços dos ingressos, por parte da diretoria do Corinthians, está intimamente relacionada a um processo de elitização do futebol desencadeado em nível federal, como preparativo para a Copa do Mundo de 2014.

Na direção do Corinthians, Luis Paulo Rosemberg e Mário Gobbi mostram-se muito afinados com tal política. Para o primeiro, "ou cobramos o preço que equilibra oferta e procura ou teremos filas, cambistas e violência". Já Gobbi é mais direto, beirando o cinismo: "O ingresso está caro? Está barato. Aliás, está muito barato. O futebol é muito caro".

O que se pode notar pela análise das declarações dos dirigentes corintianos é a adequação da política do clube a uma lógica econômica perversa, que considera o Corinthians uma empresa ("preço que equilibra oferta e procura...") e condiciona a solução de problemas sociais ao implemento de uma gestão eficiente ("...ou teremos filas, cambistas e violência").

É lamentável que a diretoria do Corinthians pense desta maneira, pois não há nada menos corintiano do que a fria racionalidade do capital. O Corinthians construiu a sua identidade relacionando-se com os setores marginalizados de nossa sociedade e, por isso, representa simbolicamente a resistência destes.

Além disso, não podemos nos esquecer que foi durante o período de 23 anos "de fila" que a torcida do Corinthians mais cresceu. Fatos como este distanciam o corintiano da ideia de "consumidor de futebol", pois mostram que a lógica de sua existência é a da paixão incondicional e da dedicação gratuita.

Assim, a atual diretoria, ao priorizar a conquista de títulos à custa da retalhação de nosso manto sagrado por bancos e multinacionais e da espoliação da nação corintiana, atua como uma espécie de negativo da alma do clube.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A violência para além dos estádios (P.2)

por Renato Godoy

Conforme prometido aqui, publicamos abaixo a segunda parte da matéria originalmente veiculada no jornal Brasil de Fato sobre as medidas do governo federal para o combate à violência. A discussão tornou-se ainda mais propícia: as finais dos campeonatos estaduais passaram, sem quaisquer grandes indícios de violência. Porém, as medidas de elitização dos estádios estão mais rigorosas.
O maior exemplo disso é a atitude da diretoria do Corinthians. Mesmo com todo esforço para se passar como tão popular quanto sua torcida, a gestão Andrés Sanchez reajustou o preço em todos os setores do estádio do Pacembu. O corinthiano que for acompanhar o seu time contra o Fluminense na próxima quarta-feira, terá opções de R$ 30 a R$ 250. Como diria Andrés, isso é uma "sacanagem" que fazem com o corinthiano. Enfim, segue a matéria.

Elitização é sugerida por dirigentes
Brigas em setores mais caros desmentem associação entre pobreza e violência
Na esteira do pacote de medidas apresentadas pelo governo federal, dirigentes esportivos, cronistas e o próprio promotor Paulo Castilho aproveitaram para sugerir medidas de modernização nos estádios que acarretariam em encarecimento dos ingressos em troca de uma maior comodidade nas arenas.

“As coisas só irão melhorar quando todos os assentos forem numerados. Podem considerar isso como uma elitização do futebol. E, infelizmente, é”, admitiu o superintendente do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, em um programa esportivo. O discurso do dirigente, também vereador pelo DEM na capital paulista, tem sido frequente entre formadores de opinião no âmbito esportivo. A elitização do esporte mais popular do país viria como consequência da modernização dos estádios e da busca de uma solução para a violência, segundo esse discurso.

Dois acontecimentos recentes no futebol paulista desmentem essa tese. Em uma partida entre Corinthians e Santos, na primeira fase do campeonato estadual, um tumulto foi iniciado entre torcedores corintianos das numeradas e dirigentes santistas que quase arremessaram uma placa de vidro contra os rivais.

Na semifinal entre Corinthians e São Paulo, os únicos tumultos registrados partiram de provocações e troca de tapas entre são-paulinos que estavam nos locais mais caros do estádios e os ocupantes das tribunas reservadas à diretoria alvinegra.

Na prática, o torcedor mais pobre já está sendo repelido pelo preço dos ingressos e pela forma como estes são vendidos (sempre em horário comercial). Tomando como exemplo os estádios onde jogam os quatro principais clubes do Estado de São Paulo – Morumbi, Pacaembu, Parque Antártica e Vila Belmiro – percebe-se que os locais com ingressos populares foram se restringindo.

Com exceção do Pacaembu, que pertence ao município, todos as outras três arenas firmaram recentes parcerias com a empresa de cartão de crédito Visa, criando um setor com assentos numerados em locais de visão privilegiada que outrora apresentavam os preços mais baratos. No entanto, a administração municipal foi a primeira a encarecer boa parte dos setores populares.

Pobreza e violência
De acordo com o sociólogo Mauricio Murad, essas leituras têm associado a pobreza à violência. “Mesmo que não seja consciente, essa associação parece que acontece, sim. O futebol é um dos maiores patrimônios de nossa chamada cultura popular e é isso que deve ser preservado, reforçando as nossas raízes históricas e sociais e combatendo todas as práticas de violência no mundo do futebol. Inclusive aquelas violências pouco citadas, como o racismo, o exclusão por gênero, por opção sexual e a exploração de dirigentes e empresários”, pontua.

Fim de organizadas aumentaria a violência, diz socióloga
A cada episódio de violência vinculada ao futebol, surgem opiniões na imprensa defendendo a extinção das torcidas organizadas. No entanto, a medida já foi experimentada em São Paulo e em nada alterou o quadro.

Em 1995, as torcidas do São Paulo e do Palmeiras protagonizaram a cena mais violenta da história do futebol brasileiro. Após uma partida entre juniores das duas equipes, os espectadores invadiram o gramado do Pacaembu e confrontaram-se com paus e pedras, vitimando um torcedor são-paulino.

Com a comoção em torno do caso, o promotor público Fernando Capez, hoje deputado estadual pelo PSDB, pediu o fechamento da Mancha Verde (do Palmeiras) e da Independente (do São Paulo). Os episódios de violência não cessaram, tal como a atividade das torcidas, que ressurgiram com pequenas alterações em seus nomes.

Pertencimento
Para a socióloga Heloísa Reis, ao extinguir essas agremiações, o Estado está desistindo desses jovens. “Não concordo com o fim das torcidas organizadas. A sociedade brasileira hoje se caracteriza pela falta de participação política, sobretudo dos jovens. Nas torcidas organizadas, há uma juventude masculina que atua. Se acabarem com estas entidades, virará um caos. O Estado perde o controle sobre esses jovens”, acredita a socióloga, que propõe uma maior aproximação entre as torcidas e as universidades para desenvolver programas educativos.

Augusto Juncal, do coletivo Rua São Jorge dos Gaviões da Fiel, atesta que, sem uma direção, muitos torcedores estariam mais predispostos a brigar. “Muitas ações violentas são evitadas porque há uma organização, uma diretoria que segura. Por exemplo, no confronto entre a torcida do Corinthians e a polícia no jogo em que perdemos pro River Plate [na Taça Libertadores, em 2006], se não fosse a atuação da diretoria, poderia ter ocorrido um massacre. O povo tava cego e a diretoria tirou eles de lá. Muitas vezes estamos caminhando para o estádio e alguns querem desviar o caminho para 'pegar' adversários. E a gente não deixa”, exemplifica.

Para o torcedor, os jovens, quando ingressam numa torcida organizada, buscam ser ouvidos e o sentimento de pertencimento. “A maioria de nós não pode ser sócio de um clube, nem do Corinthians, porque não temos 50 paus por mês para pagar a mensalidade. É uma questão de pertencimento. Os ricos têm essa sensação de pertencer a um clube luxuoso, ele usa isso como modo de estar na sociedade. E nós também, somos os Gaviões”, define.