Jogo decisivo para o seu time. Último lance da partida. Um bravo volante de sua equipe desarma um adversário que pretendia driblá-lo, quiçá humilhá-lo. Em três toques ele vislumbra a possibilidade de um chute de longa distância. Finaliza com força, com raiva, com êxito.
Em situações como essa, vividas diversas vezes por torcedores, sobretudo corinthianos, a reação mais natural é a explosão, num misto de alegria e sentimentos "menos nobres". Toda a raiva e nervosismo acumulados durante o jogo, ou durante a semana, são expressas em atos impensados, xingamentos e urros incompreensíveis.

O torcedor, à beira do campo, reage assim. Então, por que Cristian, o protagonista, não pode comemorar da forma como fez no domingo? Tal como todo o elenco do Corinthians, Cristian passou a semana inteira concentrado, na tensão do clássico. No jogo em si, passou todo o tempo regulamentar com um placar adverso – o empate não lhe interessava. Aos 96 minutos de jogo, faz o gol mais importante de sua carreira. E querem cobrar dele uma atitude racional? Se aquele não era um momento oportuno para agir emocionalmente, quando seria?
Imediatamente após o jogo, surgiram reações de cunho moralista, alegando que os gestos do volante não condizem com o anseio pela paz nos estádios. De certo, aquilo não era uma pomba da paz, como alguns queriam, mas a animosidade entre as duas torcidas não aumentou ou diminui por conta do ocorrido.
O certo é que Cristian, após o belo gol, encarnou o espírito do torcedor corinthiano. Zombou do adversário e comemorou de forma impressionante junto aos seus companheiros. Nada mais justo.
Puni-lo pelo gesto seria uma tentativa de destruir de vez o que ainda existe de humano no futebol. O que querem? Um espetáculo com comemorações pasteurizadas, incapazes de quebrar um alambrado ou de chegar perto dele, e repletas de palavras polidas? Se o futebol for isso, me incluam fora dessa.



