quarta-feira, 15 de abril de 2009

Demasiadamente humano

por Renato Godoy

Jogo decisivo para o seu time. Último lance da partida. Um bravo volante de sua equipe desarma um adversário que pretendia driblá-lo, quiçá humilhá-lo. Em três toques ele vislumbra a possibilidade de um chute de longa distância. Finaliza com força, com raiva, com êxito.

Em situações como essa, vividas diversas vezes por torcedores, sobretudo corinthianos, a reação mais natural é a explosão, num misto de alegria e sentimentos "menos nobres". Toda a raiva e nervosismo acumulados durante
o jogo, ou durante a semana, são expressas em atos impensados, xingamentos e urros incompreensíveis.




O torcedor, à beira do campo, reage assim. Então, por que Cristian, o protagonista, não pode comemorar da forma como fez no domingo? Tal como todo o elenco do Corinthians, Cristian passou a semana inteira concentrado, na tensão do clássico. No jogo em si, passou todo o tempo regulamentar com um placar adverso – o empate não lhe interessava. Aos 96 minutos de jogo, faz o gol mais importante de sua carreira. E querem cobrar dele uma atitude racional? Se aquele não era um momento oportuno para agir emocionalmente, quando seria?

Imediatamente após o jogo, surgiram reações de cunho moralista, alegando que os gestos do volante não condizem com o anseio pela paz nos estádios. De certo, aquilo não era uma pomba da paz, como alguns queriam, mas a animosidade entre as duas torcidas não aumentou ou diminui por conta do ocorrido.

O certo é que Cristian, após o belo gol, encarnou o espírito do torcedor corinthiano. Zombou do adversário e comemorou de forma impressionante junto aos seus companheiros. Nada mais justo.

Puni-lo pelo gesto seria uma tentativa de destruir de vez o que ainda existe de humano no futebol. O que querem? Um espetáculo com comemorações pasteurizadas, incapazes de quebrar um alambrado ou de chegar perto dele, e repletas de palavras polidas? Se o futebol for isso, me incluam fora dessa.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Semifinal: Corinthians x São Paulo

por Felipe Carrilho

Mano Menezes

Em meio a boatos de que o Corinthians entraria em campo com três zagueiros - com Fabinho improvisado na defesa pelo lado direito, num papel similar ao que fazia Escudero pela esquerda -, o treinador corintiano surpreendeu a todos, escalando um time bastante ofensivo com três atacantes:

_________________Felipe_______________

___________Chicão______Willian_________

Alessandro__________________André Santos

________________Cristian_____________

____________Elias______________________
____________________Douglas___________

Jorge Henrique__________________Dentinho

_______________Ronaldo________________

O resultado da ousadia foi o melhor desempenho do Corinthians em clássicos sob o comando de Mano Menezes.

São Paulo

A equipe do Morumbi abdicou de jogar o tempo inteiro, postando-se na defesa. Em má fase, Rogério Ceni procurou retardar a reposição de bolas desde a sua primeira participação no jogo. Os números da partida ilustram bem a proposta são-paulina. Enquanto o Corinthians trocou 397 passes, o São Paulo passou a bola apenas 159 vezes. Além disso, o Timão finalizou 19 vezes, o São Paulo apenas 9.


Os destaques

Os melhores jogadores corintianos da partida foram os autores dos gols: Elias e Cristian. Ambos representam o diferencial do meio-campo corintiano, pois combinam forte marcação e boa tecnica. Cristian, por exemplo, não errou nenhum passe durante a partida.


Balanço final

Apesar de reverter a vantagem (o Corinthians joga pelo empate no próximo domingo no Morumbi), o resultado do jogo foi bastante magro, dadas a superioridade do volume de jogo corintiano e as claras chances de gol criadas. Um placar 3x1 representaria melhor o que foi o jogo. Sem falar que, a despeito de todas as reclamações são-paulinas relativas à arbitragem, no gol de Miranda houve duas irregularidades: um empurrão que tirou o zagueiro Chicão da jogada, além da posição de impedimento em que estava o são-paulino no momento em que a bola foi lançada.

domingo, 12 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Jogos para Sempre!

sábado, 4 de abril de 2009

Futebol injusto?


Por Sérgio Marcondes

O jogo entre a seleção brasileira e a equatoriana, domingo passado, reacendeu uma discussão bastante comum no futebol: existe justiça neste esporte? O domínio equatoriano foi tão absoluto que até mesmo o patriota-mor da televisão brasileira, Galvão Bueno, foi obrigado a reconhecer, ao vivo, que uma vitória do Brasil, como ocorria até os 44 minutos do segundo tempo, seria uma das maiores injustiças da história do futebol sul-americano. E isso esteve muito próximo de acontecer!

É claro que alguns fatores técnicos podem ser invocados para diminuir a importância da justiça: a seleção equatoriana finalizou 30 vezes contra o gol brasileiro, mas poucas foram corretas; e o goleiro Júlio César teve uma atuação brilhante, fazendo pelo menos quatro defesas de grande dificuldade. Mesmo assim, é um consenso que o próprio empate brasileiro foi um resultado injusto, dada a diferença de volume de jogo e de atitude entre os dois times.

O ponto é que o futebol parece ser um dos poucos esportes em que isso ocorre. Num jogo de basquete ou vôlei, por exemplo, é quase impossível ver um jogador dizer após o jogo: "jogamos melhor, mas infelizmente perdemos, o resultado foi injusto". O resultado praticamente se confunde com o mérito e a justiça, nestes esportes. Quem foi melhor ganhou, pronto. No futebol não é assim. Por que?

A meu ver, podemos apontar dois fatores principais para esta possibilidade de falta de justiça no futebol. O primeiro é que o resultado do futebol se define por apenas um quesito, que é o número de gols: está dentro das regras do jogo que uma equipe que atacou o jogo todo, mas não conseguiu colocar uma bola dentro do gol, perca para outra que só atacou uma vez mas fez o gol nesta ocasião. E fazer um gol é bem mais difícil do que fazer uma cesta no basquete ou um ponto no vôlei, inúmeras partidas de futebol terminam sem gols ou com apenas um marcado. Nestes outros esportes, o resultado é uma soma de vários acontecimentos, e é impossível que este resultado não reflita a equipe que melhor atuou no jogo.

Além disso, o futebol apresenta uma complexidade maior, que vem do número maior de jogadores, da área maior de seu campo, das dificuldades pelo fato de que nele se usam os pés e não as mãos, etc. O número de possibilidades, de jogadas diferentes, de acasos, é muito maior, e portanto a sorte passa a desempenhar um papel mais predominante do que em outros esportes. O jogo de domingo passado também pode ser visto como um exemplo disto: enquanto o Equador chutou duas bolas na trave que depois saíram, o Brasil, no seu primeiro ataque com finalização, chutou uma bola na trave que entrou depois de bater nas costas do goleiro equatoriano, uma grande sorte indubitavelmente.

O que podemos concluir, também, é que este é um dos motivos pelos quais o futebol é o esporte mais popular do mundo e é tão apaixonante. Ao contrário de outros esportes, que criam um mundo virtual em que as leis, as regras, são incontestáveis, e o melhor vencerá sempre, no futebol há espaço para malandragens, acasos, improbabilidades, sorte, injustiça... Mas não será a vida humana assim também?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um camisa 10 à altura do Corinthians

por Felipe Carrilho

Douglas, dúvida para a próxima partida, vem, certamente, apresentando um desempenho muito abaixo do esperado nos últimos jogos. Depois de sofrer uma contusão e ficar de fora de algumas partidas, o meia parece não ter recuperado a boa forma e consequentemente o bom futebol. Esse fato tem rendido manifestações contrárias ao jogador nas partidas do Corinthians.

Mas, é preciso ir além dos episódios recentes para se fazer justiça ao armador corintiano. Quem compareceu assiduamente ao Pacaembu, durante a jornada do Timão na série B, testemunhou o tamanho do futebol apresentado por Douglas. Dando belas assistências e também fazendo os seus gols, a participação do meia foi fundamental para o Corinthians fazer a campanha que fez.

Se fizermos um esforço de rememoração mínimo, perceberemos que, de um ano para cá, existiu um Corinthians antes e outro depois de Douglas. Quem não se lembra do sofrimento que era ver o Timão sendo armado por "craques" como Marcel, Heverton, Acosta, entre outros? Quem se esqueceu da irregularidade de Diogo Rincón, e o quanto sofremos, por exemplo, com a desarticulação do meio-campo corintiano na final da Copa do Brasil, contra o Sport?

Douglas chegou e resolveu o problema no ano passado. No início deste ano, o meia esteve muito bem. Os espectadores da goleada corintiana sobre o Estudiantes, da Argentina, presenciaram uma exibição de gala do jogador. Depois da partida, inclusive, Ronaldo Fenômeno teceu fartos elogios ao companheiro, elegendo-o como o craque do time. E o artilheiro tinha razão. Se analisarmos o nível dos jogadores que atuam mesma posição de Douglas no Brasil, chegaremos à conclusão de que se trata de um dos melhores.

O que, então, explicaria a pressão que o armador do Corinthians vem sofrendo por parte de torcedores e de alguns críticos de futebol? Modestamente, acho que tal postura é digna daqueles que andam frequentando as numeradas ou o setor laranja do Pacaembu, o mais caro das arquibancadas. Aqueles que, conforme Renato Godoy já denunciou no texto "Corinthians de Ronaldo ou Ronaldo do Corinthians?", assistem aos jogos do Timão envergando camisas do Milan, de Berlusconi, ou do franquista Real Madrid.

Tudo começou quando, na partida de estreia de Ronaldo, contra o Itumbiara, Douglas deixou de passar a bola ao atacante, chutando em gol (a bola tirou tinta do ângulo direito do goleiro, é bom que se diga). Desde então, a opinião de tais corintianos de ocasião vem se impondo. Será que a Fiel se deixará contaminar?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

45 minutos para garantir a vaga

Por Renato Godoy

Mano Menezes desta vez não decepcionou. Ousou na escalação do Corinthians relacionando apenas um “volante-volante” (Christian) e três atacantes. Coincidência ou não, os 45 minutos iniciais, em que o time definiu o placar de 3 x 0, tiveram grande atuação de Elias, que foi sacado no intervalo para dar lugar a Túlio.
Com a saída do camisa 7, o Corinthians ficou menos insinuante, sem saber ao certo o que fazer com a bola, apesar de tê-la em seus pés na maior parte do tempo. Tal indecisão do time gerou até vaias dos setores mais abastados do estádio. Isto quando o time já vencia por 3x0!Pela terceira vez seguida, Ronaldo atuou durante todo o jogo. A cada atuação do centroavante ficam provadas duas coisas: ele é realmente um Fenômeno e está longe de estar em forma.
O camisa 9 errou passes, perdeu bolas por falta de agilidade e finalizou com a precisão de sempre. Aliás, fez dois gols legítimos. O mais bonito, no segundo tempo, foi erroneamente anulado. Sofreu falta que deu origem ao terceiro gol e participou até de jogada bem ensaiada, colocando André Santos na linha de fundo, mas faltou a conclusão de um cabeceador. Já no fim do jogo, sem ter opções, encarou dois zagueiros, colocou a bola atrás deles e arrancou para alcançá-la novamente. Não obteve êxito, mas lembrou os velhos tempos. Com toda a falta de forma, soma 5 gols em 7 jogos. Fenômeno.
Outro “destaque” da partida foi a ausência de Douglas. Apesar de eu ser um defensor do meia corinthiano, foi visível a maior mobilidade e eficiência no meio de campo. Sem brilho ou passes geniais – como o Douglas do ano passado -, Wellington Saci deu conta da armação.
Com a classificação para a segunda fase garantida, especula-se que Mano possa escalar um time misto diante do Mirassol, no domingo. No entanto, o jogo contra o time do interior não deve ser encarado como cumprimento de tabela. Se o São Paulo vencer quinta-feira ou no domingo, o Corinthians sofre o risco de perder novamente a segunda posição. A vantagem de dois empates num eventual confronto contra o SPFC nas semifinais não pode ser desprezada.

Contrassenso
Um destaque positivo foi a presença de 21 mil torcedores no Pacaembu, mesmo no horário ridículo das 21h50. Este horário antitorcedor foi criado para adequar os interesses da emissora das novelas, no entanto, a partida desta terça não foi televisionada. Aliás, agora o canal de TV faz campanha, aos moldes do jornalismo cidadão, para que a prefeitura e o governo do Estado disponibilizem linhas para o retorno dos torcedores. Como se estivesse isenta de culpa nesse tratamento dispensado aos freqüentadores de estádios.