sexta-feira, 27 de março de 2009

Caminhos cruzados: Casão, Ronaldo e o Corinthians


por Felipe Carrilho


A vida, às vezes, é capaz de apresentar coincidências históricas incríveis, que podem até fazer duvidar de sua total casualidade e despropósito. De certo, não existe racionalidade na história, estando tal atributo localizado no discurso histórico, na maneira como os homens apreendem o passar do tempo. São os homens, portanto, que conferem sentido aos séculos, "enxergando" as coincidências históricas.

Walter Casagrande Júnior, o nosso Casão, captou, no ar, a beleza do momento pelo qual passamos, os corintianos:

"Minha história e a do Corinthians tem uma ligação forte. E coincidiu de o Corinthians cair para Série B e eu ter problemas, com os dois se recuperando quase ao mesmo tempo. É lógico que não dá pra comparar uma coisa com a outra, mas são situações que se cruzam".

E Casão foi além, ao comentar a vinda ao clube daquele que, hoje, enverga a camisa 9 do Timão, que outrora fora sua, Ronaldo:

"Tanto o Corinthians merece ter um jogador como o Ronaldo, quanto o Ronaldo merece jogar no Corinthians. O Corinthians tem uma coisa especial e o Ronaldo também é um jogador especial. Ele teve problemas, ficou desacreditado. Então, não tem lugar melhor para ele se recuperar do que um clube como Corinthians".

Os percursos de Casão, Ronaldo e do Corinthians se conjugam atualmente numa poesia histórica (para quem quer enxergar). E Casão, assim, como Ronaldo, e o próprio Corinthinas se levantam novamente:

"A recuperação do Corinthians está igual a minha: aos poucos vai voltando ao lugar que merece. Mesmo caindo para série B, o Corinthians é o Corinthians. As pessoas olham para o clube e respeitam. Meu caso é mesma coisa: o que eu fiz, o que eu fui e sou, não tem como apagar. O que aconteceu comigo foi um retrocesso, uma queda para a segunda divisão da vida. Mas eu voltei. Ou melhor, estou voltando aos poucos, adquirindo respeito novamente".


Volta, Casão, você está na história do Timão!

quarta-feira, 25 de março de 2009

A tragédia do Brasil

por Renato Godoy


Somente aqueles que passaram por um rebaixamento conhecem a dor que ele proporciona. Agora, nenhum torcedor pode mensurar o sofrimento que o ano de 2009 reservou para a torcida do Brasil de Pelotas, tradicional e quase centenário clube do Rio Grande do Sul.
Após um ano que renovou as esperanças do clube, que garantiu a permanência na nova terceira divisão nacional, o torcedor do Brasil teve que lidar com a morte de dois atletas e um preparador de goleiros, após um acidente com o ônibus da equipe em fevereiro. Sem deixar de prestar condolências ao zagueiro Régis e ao preparador Giovani Guimarães, a torcida do clube demonstrou a dor da perda de seu maior ídolo, o atacante uruguaio Cláudio Millar. Ao comemorar seus gols, Millar encarnava o índio Xavante, símbolo do clube, atirando uma flecha imaginária em direção à torcida.
As equipes gaúchas e as federações de futebol mostraram-se solidárias ao clube de Pelotas. Os cartolas do Rio Grande do Sul ofereceram um tempo maior para o Brasil, que cogitou inclusive não participar do Gauchão 2009, que teve início dias após a tragédia. Alguns clubes emprestaram jogadores gratuitamente.
Para honrar os seus mortos, a equipe tomou a decisão de participar do campeonato – estreando apenas na 5ª rodada e encarando um calendário intenso, com 8 jogos em 16 dias. Tal decisão demonstrou a fibra do elenco e de sua torcida, que encorajou tal atitude.
Porém, nem só de posturas firmes e honrosas vivem o futebol. Dentro de campo, não se pode esperar do adversário o respeito ao luto alheio. E os adversários do Brasil foram implacáveis.
A equipe sofreu com problemas psicológicos, técnicos e físicos – 5 atletas ainda não se recuperaram do acidente, tal como o treinador Armando Desessards. O clube que vinha de uma boa campanha na Série C – ficando próximo do acesso à Série B – não resistiu.
Sem vencer uma partida sequer, o Xavante foi rebaixado e disputará a segunda divisão do gauchão em 2010.

Honra ao ídolo
Um momento dolorido e simbólico ocorreu na derrota do Xavante para a Ulbra, por 5 a 2, em Pelotas. No último gol do visitante, o atacante Rogério Pereira, em tom de escárnio, foi à torcida Xavante e, de acordo com os jogadores do time da casa, imitou o gesto de Millar, em pleno Estádio Bento Ribeiro, cancha onde o atacante uruguaio consagrou-se. A resposta dos companheiros do falecido jogador não poderia ser diferente. Liderados pelo goleiro Danrlei, partiram para o confronto físico. A racionalidade da justiça desportiva puniu três atletas do Brasil por terem honrado a memória de Cláudio Millar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Jornalismo esportivo covarde ou imprudente?

por Felipe Carrilho

O Estadão publicou na edição de domingo (22/03) uma entrevista de Ronaldo, assinada pelo jornalista Daniel Piza. O texto de introdução da matéria começa assim:

"'Estou adorando'. Ronaldo repetiu a frase algumas vezes, durante a entrevista concedida (...)".

Depois, o jornalista frisa, reiteradamente, a atual felicidade do Fenômeno, atribuindo-a, entre outros fatores, ao bom relacionamento que o jogador conseguiu estabelecer com os seus companheiros de clube.

No final, porém, arremata:
"Seu objetivo é fazer uma temporada inteira de 30 jogos (...). Para isso, dá um recado aos colegas de equipe: lançar em profundidade. Ele está decidido a continuar 'adorando'". (Grifos meus)

Insinuação "jornalística" covarde, aludindo ao incidente com os travestis, ou pura imprudência negligente? O leitor que decida.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ponderações corintianas sobre o clássico contra o Santos

por Felipe Carrilho

Mano Menezes
O técnico venceu finalmente o seu primeiro clássico, após quase um ano e meio à frente do clube do Parque São Jorge. O êxito se deveu não apenas à fragilidade do time do Santos frente aos outros grandes paulistas, mas também à coragem demonstrada pelo treinador corintiano na montagem ofensiva do esquema tático, escalando também jogadores mais leves e habilidosos.


Perspectivas corintianas
Hoje, o torcedor do Corinthians já pode sonhar com o título paulista. Com uma base sólida, de jogadores do ano passado, que permaneceu no clube e um esquema tático amadurecido, o Timão segue como forte candidato. Mas, o que parece confirmar este palpite, é a possibilidade de que, no quadrangular final, Douglas, Morais, Dentinho e, claro, Ronaldo estejam finalmente em boa forma física. Este quarteto ofensivo corintiano não deverá nada a ninguém.

Dentinho

O camisa 31 do Corinthians, muito melhor do que o seu concorrente de posição, Jorge Henrique, foi o grande destaque do clássico e deve permanecer como titular.

Marcelo Teixeira
O presidente do Santos não demonstrou o equilíbrio emocional necessário a um dirigente de futebol profissional. Apesar de o Corinthians, assim como o São Paulo outrora, ter rompido a tradição de dividir igualmente o espaço das arquibancadas para as duas torcidas adversárias, Marcelo Teixeira não tinha o direito de incitar a violência entre os torcedores.

quinta-feira, 19 de março de 2009

De novo, a hora de Mano


Por Renato Godoy



Mais uma vez Mano Menezes chega a um clássico com a obrigação de vencer. Nos maiores confrontos do ano, repetiu a postura tímida dos clássicos do ano passado. Ao menos conseguiu sair com dois empates – com até certo gosto de vitória.
A verdade é que o comandante corinthiano precisa mostrar uma audácia que o cacife para ser o técnico do centenário do clube de Parque São Jorge. Título este que deve ser almejado pela maioria dos principais treinadores do país.
Tirante os clássicos, Mano tem histórico acima da média no Corinthians. Mas os números podem mentir. Para o corinthiano o assunto ainda dói. Mas, vale lembrar, que no ano de 2008 a maioria dos adversários do Timão eram da série B. A título de ilustração, coloco abaixo os jogos que o treinador corinthiano disputou contra times pertencentes à Série A:

2008
27/01 Corinthians 0 x 0 São Paulo
20/02 Corinthians 1 x 0 Portuguesa
02/03 Corinthians 0 x 1 Palmeiras
26/03 Santos 2 x 1 Corinthians
16/04 Goiás 3 x 1 Corinthians
30/04 Corinthians 4 x 0 Goiás
20/05 Botafogo 2 x 1 Corinthians
28/05 Corinthians 2 x 1 Botafogo
04/06 Corinthians 3 x 1 Sport
11/06 Sport 2 x 0 Corinthians

2009
22/01 Corinthians 2 x 2 Barueri
15/02 São Paulo 1 x 1 Corinthians
08/03 Palmeiras 1 x 1 Corinthians
15/03 Santo André 0 x 0 Corinthians

Apenas 4 vitórias em 14 jogos. Sendo que todos esses êxitos foram em casa. Neste ano, nenhuma vitória, mas também nenhuma derrota. Nos jogos da Copa do Brasil, todas as vitórias em casa foram “retribuídas” com derrotas nos campos adversários. Uma das 4 vitórias, diga-se, foi contra a Portuguesa, que meses depois voltou à série B.
Por essa ótica, o desempenho de Mano está muito aquém do esperado. Afinal, o campeonato deste ano, felizmente, será o da primeira divisão. Outro fator a perturbar Mano Menezes é o fato de a equipe ter vencido jogos apenas contra aqueles que frequentam as partes menos nobres da tabela do Paulistão. O adversário melhor posicionado que o Corinthians venceu foi o São Caetano, que ocupa a 9ª colocação.
É verdade que o Corinthians é o único time paulista invicto na temporada, mas, convenhamos, está longe de convencer a Fiel.
Domingo
Com o perdão da obviedade, acredito que o Santos deve ser um adversário duro para o Corinthians. A obrigação de vencer está em ambos os lados. Já que, principalmente no caso do time do litoral, a classificação para a próxima fase não está consolidada. Analisando o lado que me interessa, as prováveis ausências de Chicão e Elias são preocupantes. Conforme já foi dito aqui, a escalação de Túlio em clássicos é uma temeridade, dado o desequilíbrio do volante. Escudero seria um risco ainda maior, já que o defensor argentino parece continuar na sua busca incessante pela primeira expulsão no futebol brasileiro. Ainda que seu último cartão tenha sido aplicado mais pela sua fama do que pela infração em si. Na eventual ausência de Chicão, aponto como melhor opção o jovem Diego. Por fim, se Ronaldo for implacável como de costume, Dentinho atuar como no último jogo o Santos sofrerá para segurar o ataque do alvinegro da capital. Mano Menezes tem grandes chances de sair vitorioso de um clássico pela primeira vez. Mas para isso é preciso ousadia. E ela tem de partir do comando técnico.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Charge da semana


por Ronaldo Santanielli

Nem São Paulo, nem Palmeiras: Santos!

por Felipe Carrilho

Em meio à polêmica lançada neste blog, no texto abaixo, sobre se São Paulo ou Palmeiras deveriam dividir com o Corinthians o maior clássico do estado, o jornalista Celso Unzelte publicou na edição desta segunda-feira (16/03), do Jornal Diário do Comércio, uma matéria que diz muito a respeito.

O texto trata, em linhas gerais, da história do confronto entre o Corinthians e o Santos, apontando, claro, Pelé como o grande protagonista do clássico. Apesar da superioridade corintiana no panorama geral do embate, a matéria ressalta os impressionantes números do camisa 10 santista:

"Pelé enfrentou o Corinthians vestindo a camisa do Santos 50 vezes e marcou 50 gols. Exatamente um gol, em média, por partida. Com ele em campo, o Santos ganhou 24 clássicos (48%), empatou 17 (34%) e o Corinthians ganhou nove (18%)".

Mas, o que interessa aqui para a atual polêmica do blog é a seguinte declaração dada por Pelé, no ano passado, e relembrada na matéria por Celso Unzelte:

"Corinthians e Santos fazem o maior clássico do mundo."
Salve, Rei!